page view

Mas se a contratação do colosso Vieira, 28 anos, por 35 milhões euros, parece justificada dada a necessidade imperiosa do Real de reforçar o meio-campo (coxo desde a saída de Claude Makelele), já a compra de Owen (a confirmar-se) parece mais um capricho de novo-rico. O preço do internacional inglês, 24 anos, é apelativo (fala-se em 20 milhões de euros; lembre-se que Owen fica livre na próxima época e pode sair a custo zero) mas há bons negócios que escondem bombas-relógio. Repare-se que o Real tem três avançados de primeira linha, Raul, Ronaldo e Morientes, e não se está a ver, assim à primeira vista, como vai Camacho gerir tamanha abundância de valores e de egos. Em Raul ninguém toca porque ele é inamovível, mesmo quando se arrasta em campo. Raul é o símbolo madrileno da multinacional de Perez, a lembrança que há uma estrela espanhola nesta galáxia de monstros.

Em Ronaldo não se toca porque ele deve ter no contrato alguma cláusula de titularidade – vá lá, pelo menos 80 minutos em campo. Portanto, está na cara que o calvário particular do regressado Morientes é para continuar, e bem pode ele invocar os golos que marcou ao serviço do Mónaco na época passada e os dois que assinou na terça-feira em Cracóvia para reclamar a titularidade. Não, o injustiçado Morientes está condenado ao joga não-joga; fica não-fica, porque ninguém contrata Michael Owen como suplente de luxo. Owen também vai ter problemas existenciais, claro, e é uma pena porque se trata de um belíssimo jogador, com perfil e características para vingar no futebol do Real – virtuosismo, técnica, rapidez de execução e pique estonteante. Além disso, vale 20/25 golos por época. Estou curioso para ver o que vai fazer Camacho, mas parece-me que o ‘turn-over’ é a hipótese mais viável.

Os caprichos de Florentino Perez não lhe deixam outra saída e o ex-treinador do Benfica terá de estudar com muita atenção o ‘turn-over’ instituido por Fabio Capello quando teve de gerir no Milan a colecção de estrelas que Berlusconi lhe comprou – do meio-campo para a frente havia Rijkaard, Boban, Donadoni, Albertini, Evani, Gullit, Savicevic, Van Basten, Simone, Papin e Massaro. Dirão os optimistas que Camacho tem uma boa dor de cabeça, mas o passado recente do Real mostra-nos que o céu é único sítio onde as estrelas brilham sempre. E não colidem umas com as outras.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Adeus, Jogos ‘Wokelímpicos’

Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.

Constituição

Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.

Blog

Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8