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Em democracia não chega, porém, afirmar uma política. É preciso que os cidadãos acreditem nela. Cortar quatro mil milhões na despesa do Estado, sem mais, não diz nada ao comum dos cidadãos. Pode até assustar muitos portugueses menos informados sobre os prós e os contras destas orientações. Tomar uma decisão desta envergadura sem que as pessoas verdadeiramente percebam para que servem tais cortes, qual a vantagem que tiram da sua concretização e qual a contrapartida económica e social que vão obter no futuro é um tiro no escuro. Perigoso e evitável.

Assim, o plano de corte na despesa do Estado deve ser acompanhado de um compromisso de redução da carga fiscal. No momento em que anuncie um corte na despesa de quatro mil milhões, o Governo deve anunciar também, de forma quantificada e calendarizada, o compromisso futuro em termos de redução da carga fiscal. Fazer isto é praticar a coerência – afinal, a menos despesa devem corresponder menos impostos. Assumir esta atitude é firmar um contrato entre o Estado e o cidadão. E o cidadão fica assim a perceber o benefício que lhe advém de ter um Estado menos gastador. Seguir este caminho é fazer política. Não a política do marketing ou do soundbyte, mas sim a política com substância e significado. Aquela que exige objectivos estratégicos, compromissos mobilizadores e sobretudo um grande respeito pelo cidadão.

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