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Portugal precisa de confiança e de credibilidade, tanto no Estado como na sociedade civil.

Sem confiança num projecto e sem líderes sociais credíveis, as maiorias parlamentares pouco podem fazer. Na política, na economia e na vida social em geral, o défice de credibilidade é uma praga que extermina tudo à volta: soluções, propostas, caminhos.

O País habituou-se a desconfiar e a não acreditar. A sociedade portuguesa precisa urgentemente do inverso.

Mas acreditar em quê e confiar em quem? Que ideias e projectos podem gerar empenho solidário de responsáveis públicos e privados, na política e na sociedade civil?

O País entretém-se a discutir se as mudanças (e todos, claro, consideram a “mudança” indispensável!) devem concretizar-se através de um poder político forte ou recorrendo a consensos, tão alargados quanto possível.

Há quem desdenhe do consenso, tido por frágil; e há quem receie decisões claras, vistas como imposições.

Enquanto dura a discussão, ficamos a meio caminho, entre uma coisa e outra. Os governos de António Guterres eram obcecados pelo consenso, dentro e fora do respectivo círculo partidário, com os resultados conhecidos. O Governo de Durão Barroso quis demarcar-se do estilo anterior, criticando-o, mas sempre denotou dificuldade em construir o seu próprio modelo de governação.

O actual Governo, apoiado por uma sólida maioria parlamentar, também precisa de encontrar o seu rumo. O primeiro-ministro tem cultivado, e bem, uma certa eficácia na decisão, administrada com a dose indicada de palavra. As trapalhadas com o Orçamento Rectificativo são, desse ponto de vista, um retrocesso infeliz. Mas o que mais interessa é saber se o actual poder político quer e consegue gerar propostas que provoquem e mobilizem o País.

Há famílias em extrema dificuldade a viver abaixo da “linha-de-água” e há um Estado em apuros por gastar muito mais do que devia. Para um caso e para o outro, há quem se limite a pedir a receita do costume: apenas e só mais despesa do Estado. Mais dinheiro pode ajudar a enganar ou a adiar problemas, mas raramente os resolve. Pelo contrário, gera-se ainda mais dependência do Estado e agravam-se as contas públicas que já não chegam para as encomendas – actuais e futuras.

Sem suscitar um debate nacional profundo que permita desenhar políticas de longo prazo na justiça, na educação ou na economia, este governo (como qualquer outro que assim proceda) arrisca-se a não ir mais longe do que os seus antecessores.

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