As estafadas comemorações do 25 de Abril proporcionam uma excelente oportunidade para repor alguma lucidez.Anoapósano, ouve-se um coro de carpideiras repetir ‘ad nauseam’ que falta 'cumprir Abril'. Masconvémperguntar: qual Abril? O Abril do PCP, que nos teria transformado numa ‘democracia avançada’ à semelhança de Cuba e da Coreia do Norte? Ou o ‘Abril’inspiradopelos Grandes timoneiros Mao e Hoxha que nos teria conduzido ao ‘progresso dos povos’? Confesso o meu conforto com o falhanço destas utopias.
Quanto aos defensores da nossa atávica Constituição, que ainda hoje se propõe ‘abrir caminho para uma sociedade socialista’, não compreendo porque tanto se queixam. Esse socialismo português saldou-se no triunfo do ensino igualitário, pseudo-inclusivo, sem vestígio de critérios como o mérito e a disciplina. Um ensino que culminou na mediocridade generalizada e no episódio da ‘peixona’ (ou ‘pachona’; a doutrina divide-se).
O socialismo português rejeitou o sector privado e o rigor na gestão por objectivos. Por isso, somos confrontados com listas de espera tais que os utentes do nosso Serviço Nacional de Saúde são enviados em excursões para serem operados às cataratas. Abril acabou por ‘cumprir’ um SNS que é ‘universal’ na exacta medida em que os portugueses têm de viajar pelo Universo para acederem, em vida, aos cuidados de Saúde.
Estapenosacaminhada para a 'sociedade socialista' levou ao triunfo do politicamente correcto e da irresponsabilidade; dos direitossemdeveres;doesbanjamento de recursos distribuídos sem critério; da criação ‘fraterna’ de subsídio-dependências;deuma Administração Pública que foi sendo insuflada na proporção inversa à da sua eficiência. Levou, também, ao triunfo de uma ideologia adversa à criação de riqueza, à liberdade de escolha e ao crivo da qualidade.
Quem cresceu em liberdade, agradece, sentidamente, a todos os que defenderam este valor inestimável. Abril deveria ser um ponto de partida, ideologicamente descomplexado, pa-ra se prosperar e viver em liberdade numa sociedade equitativa. Desde 1974 que 'convergimos' – na terminologia de José Sócrates – no sentido de uma sociedade asfixiada, subjugada e condicionada. O ensino sucumbiu ao ‘eduquês’, o empreendedorismo a más políticas fiscais, a economia a um keynesianismo inconsequente, as expectativas à frustração. As famílias sucumbiram a tudo isto. Brevemente teremos tantos anos de democracia como de ditadura e eis que 'convergimos' com coisa nenhuma.
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Por Carlos Rodrigues
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