page view

1 . O EQUÍVOCO DA ESCOLHA DOS TREINADORES – A eliminação do Sporting da Taça de Portugal, que se segue ao afastamento dos leões da Taça UEFA, frente ao Gençlerbirligi – uma forte machadada na 'reputação' do 'Alvalade XXI' – acaba por resultar num facto absolutamente normal, em razão do que tem sido o comportamento da equipa leonina nos últimos tempos.

Tenho defendido nesta e noutras tribunas que o Sporting tem um futebol ultrapassado. Não é um problema exclusivo deste 'Sporting de Fernando Santos'; é um problema de orientação e liderança que, para não recuar muito e situar as coisas apenas no passado recente, a SAD tem ajudado a fomentar com a escolha de treinadores que não são exactamente do tipo interventivo. Não sou daqueles que julgam que os técnicos têm a culpa de todos os males de uma estrutura interdependente, mas acredito – e está provado – que um treinador firme, convicto das suas ideias, que sabe o que quer dentro e fora do campo, personalizado, pode mudar, de repente, as coisas. Aconteceu com Mourinho (que salvou Pinto da Costa do KO); aconteceu com Camacho, que despertou o 'Benfica de Jesualdo Ferreira' de uma situação de delíquio profunda.

2. NÃO HÁ DINHEIRO NEM CLIMA PARA DESPEDIMENTOS – Quando me pergunta(ra)m se Fernando Santos tem condições para continuar em Alvalade, a resposta não pode(ria) ser linear, porque a SAD tem escolhido, nos últimos tempos, treinadores com um determinado perfil, do tipo 'não faças muitas ondas' porque 'temos muitas coisas a resolver', nomeadamente minorar os efeitos de uma situação financeira complicada.

Bölöni ainda hoje é um treinador glorificado por alguns sectores da massa associativa do Sporting e, principalmente, por alguns responsáveis. Por ter sido campeão. Não penso assim – Bölöni foi um equívoco; a equipa jogava o que ela queria e não exactamente o que o treinador pretendia. Foram Jardel (principalmente) e João Pinto os grandes fautores do último Sporting campeão.

A SAD aguentou o romeno até ao fim, mostrando firmeza no seu critério, mas ao transformar um investimento numa despesa, abdicou demasiado cedo de lutar pela conquista do título.

Este ano, está a acontecer exactamente a mesma coisa: o Sporting não quer gastar dinheiro em rescisões, escudando-se no bom princípio de que os contratos são para cumprir, mas não pode pretender ter o sol na eira e a chuva no nabal. Porque, na verdade, é essa a maior fraqueza do Sporting: o seu défice de competitividade. Muitos jogadores não são competitivos e o treinador, com uma imagem demasiado romântica, que ia levando Pinto da Costa, nas Antas, quando Fernando Santos lá estava, a um ataque de nervos, não consegue quebrar a passividade, o quase completo amorfismo, a pungente incapacidade de reagir, e acaba por ser o prolongamento de um estado de apatia (quase indiferença) absolutamente insustentável.

Se a certa altura, depois da inauguração do estádio, frente ao Manchester United, e com a confirmação da capacidade de resposta de Rochemback, o maior problema que o Sporting chegou a exibir foi o 'pitium', agora que essa questão está resolvida, o problema passou a ser a sonolência provocada por uma qualquer dose de 'valium'.

3. A DORMIR, SEM O LUGAR EM PERIGO – Foi, agora, o próprio Fernando Santos que, consumada a eliminação do Sporting na Taça de Portugal, o que já tinha acontecido na época passada frente à Naval, o que levou os figueirenses a serem recebidos nos Paços do Concelho (em Lisboa!!!), quem veio dizer que a equipa entrou em campo a dormir. Com efeito, num futebol que custa muito dinheiro, assente ou não em princípios de 'alto profissionalismo' (perguntem o que isso é ao prof. Moniz Pereira), como é possível passar 45 minutos a ver se chove, menosprezando o adversário e não fazendo nada para provocar a eclosão de um golo? Se não devem dinheiro aos jogadores; se estes têm das melhores condições de treino que existem no País, como é possível aceitar tamanha passividade?

Perguntaram, a propósito, a Fernando Santos se sentia o lugar em perigo. A resposta foi óbvia: claro que não! Esta falta de pressão (dentro e fora do campo) está a tornar o Sporting num clube conformado e pouco ambicioso, numa SuperLiga em que conquistar o título é uma tarefa relativamente fácil.

4. HUGO VIANA, ROCHEMBACK, TOÑITO E LIEDSON – Não consigo compreender como é que, considerando o actual quadro de competições nacional, os treinadores colocam em prática o princípio da rotatividade. Isso é para aquelas equipas europeias que jogam duas e três vezes por semana, que cumprem 80 ou mais jogos por época e, mesmo assim, só rodam os jogadores em circunstâncias muito especiais! O Sporting vinha de uma série de jogos mais positiva e, frente ao Boavista, mostrou estar perto da nova filosofia competitiva (’pressing’ constante) que os leões necessitam de assimilar. A questão era saber se o Sporting conseguia exibir essa atitude em permanência. Viu-se que não. Mais um colapso, em grande parte determinado pela subestimação relativamente a um bom Vitória de Setúbal e pelas alterações produzidas. Rochemback é meia equipa. Prescindir dele é prescindir de uma parte importante da capacidade de resposta do colectivo. Fala-se agora da hipotética dispensa de Toñito. O espanhol é ‘só’ um dos melhores jogadores deste Sporting! Não joga, não percebo. Hugo Viana é uma boa solução (porque vem motivado para se mostrar a Scolari), mas o grande problema está nos flanqueadores. Os leões só jogam pelo meio e Hugo Viana é um jogador 'central'. O Sporting foi buscar Clayton às Antas mas... nada. Liedson foi excelente aquisição: mobilidade, concentração no jogo todo, um exemplo.

5. ÉPOCA DE TRANSIÇÃO – O Sporting assume que está numa fase de transição e, no fundo, não se assume como candidato ao título. Quando a assunção da diferença (em termos de modelo de dirigismo, que se aplaude) se confunde com falta de iniciativa o risco que se corre é passar uma imagem de demissão. O Sporting, erradamente ou não, tem a imagem de um clube vencido e demitido.

* independentemente das incidências do jogo de ontem à noite

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Adeus, Jogos ‘Wokelímpicos’

Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.

Constituição

Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.

Blog

Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8