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F. Falcão-Machado

F. Falcão-Machado

Embaixador

Dos finados e outros fastos

03 de novembro de 2007 às 00:00

Ao percorrermos o resto do Mundo deparamos contudo com comemorações dedicadas aos defuntos um pouco diferentes, que encerram sem dúvida um rico conteúdo cultural mas que têm muitas vezes um significado menos lutuoso do que o nosso. É o caso do Halloween, tão popular entre a juventude norte-americana, e é o caso também de outras tradições no resto do Novo Continente, envolvendo quase sempre uma forte componente lúdica. El Dia de Muertos, no México, constitui desde os tempos pré-colombianos uma forma de relativizar o acontecimento funesto que é a morte, sublimando-o em jogos bem-humorados. Na visão indígena, trata-se de honrar “aqueles que se adiantaram no Caminho” oferecendo-lhes comidas, bebidas, músicas e outras diversões num ambiente de grande confraternização e no qual, segundo uma crença milenar, os nossos defuntos gostam de participar em espírito para retribuir depois com a sua protecção de além-túmulo. Por isso surge neste dia, nas ruas da Cidade do México mas também nas mais remotas aldeias do interior, uma extraordinária animação popular apoiada num garrido arsenal de instalações com esqueletos, caveiras, ‘Árvores da Vida’ e outros artefactos semelhantes. Estas manifestações tanto podem inspirar a decoração de guloseimas próprias da temporada como provocar uma deslumbrante criatividade popular, que não hesita em deitar mão às ideias mais originais e aos materiais mais sofisticados.

Como acontece frequentemente neste tipo de fenómenos, não deixa de marcar igualmente presença uma poderosa componente comercial que sabe tirar partido destas oportunidades. Mas não foi isso que impediu que La Fiesta de la Muerte fosse classificada pela UNESCO como Obra-Prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade.

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