De repente, por artes mágicas da política, o ainda nosso primeiro-ministro passou a ter o perfil para o momento que se está a passar e nem a organização da cimeira dos Açores lhe retira a generalizada preferência dos seus pares.
A saída mais do que previsível de Durão Barroso para a Presidência Europeia é um projecto de vida que serve interesses vários.
É bom para o próprio, que está politicamente esgotado ao fim de dois anos de Governo e colocado perante a necessidade de uma remodelação profunda, para a qual precisaria de ideias e pessoas.
É bom para Portugal, que está em vias de dar um presidente à Europa e poderá tirar daí óbvios dividendos.
É bom para o PSD, que pode tentar projectar dois anos de recuperação da confiança dos portugueses, algo que está muito abalado pelo que se viu no último acto eleitoral.
Dando como adquirido que Jorge Sampaio avalizará esta saída e respectiva substituição, constitucionalmente sem problemas, uma vez que a maioria existe, mas politicamente delicada, os problemas vêm com a concretização da mudança.
Primeiro Santana Lopes, o mais que esperado sucessor. Como reagirá o partido? E como se posicionarão Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa? Como irá Santana Lopes resolver a questão presidencial depois de ter dito que Cavaco era o candidato preferido da esquerda? Será que se abre caminho ao entendimento com Marcelo? E Durão, como estará a negociar tudo isto? Além disso, como lidará Santana Lopes com o partido que agora lhe cairá nas mãos depois de tantas vezes o ter tentado conquistar em congresso?
E depois existem outras vertentes.
Desde logo o posicionamento da oposição. A Ferro Rodrigues, com certeza, interessaria as eleições, uma vez que não deixaria de as ganhar acabando com a luta pelo poder no PS, antes que chegue António Vitorino para baralhar mais as coisas. Pressionará Jorge Sampaio nesse sentido, assim como o PCP e o Bloco de Esquerda.
O Verão vai ser animado. É o regresso da política.
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Por Carlos Rodrigues
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