A morte de João Canijo (1957-2026) apanhou-me em trânsito e a pensar nele por motivos que não tinham a ver com o cinema mas com os livros. Por volta de 1994 estávamos a escrever uma novela passada no Porto, sobre as grandes (e poderosas, e cheias de passados singulares) famílias da cidade. A novela não chegou a fazer-se, claro, mas recordo as noites (com António Jorge Pacheco) em que escrevíamos o argumento. Canijo achava que o modelo devia ser o de ‘O Curioso Impertinente’, uma novela de Cervantes que vem no ‘Quixote’, o que nos levava por caminhos divertidos – e que depois usou em ‘Sapatos Vermelhos’. De repente, quando chegávamos a uma encruzilhada, acendíamos charutos, discutíamos as soluções e João metia a mão numa sacola: “Tudo está no Eurípides.” E, das 1500 páginas do teatro de Eurípides (um volume da Pléiade francesa), havia um mapa de “situações dramáticas” anotadas e folheadas. É também por isso que o seu cinema é tão clássico, tão profundo, tão imortal, tão feito em diálogo com a grande tragédia.
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