Sousa Franco é o líder da lista que o PS vai apresentar nas eleições europeias.
Não é com esta opção unipessoal que Ferro Rodrigues vai dar sal a esse desinteressante acto eleitoral.
Tenho até o pressentimento que foi Durão Barroso quem influenciou, sub-repticiamente, escolha tão amorfa!
Sousa Franco é quem mais pode fracturar e desmobilizar os quadros do PS. Não tem uma convicção político--partidária sólida, além do tropismo que o faz estar sempre perto do ‘tacho’ mais à mão. Não se lhe conhece nenhum pensamento substantivo sobre algo de realmente importante, muito menos sobre a Europa e o papel que Portugal deve desempenhar. Será que o PS profundo pode alguma vez apoiar, convictamente, este ‘independente’ egocêntrico? Não acredito.
Jorge Coelho não esquecerá quem o classificou de utilizador de uma “linguagem de mineiro ou cavador”, quando, no Parlamento, atacava a herança do Governo que o antecedera. Manuela Arcanjo tem bem vivas as suas traições e deslealdades.
Os mais leais guterristas lembram-se do ministro que desprezava o convívio dos colegas de Conselho, preferindo despachar de roupão, ceroulas, chinelos e touca, no remanso do lar. Miranda Calha ainda se deve recordar do puxar de tapete que liquidou o “totonegócio” e Pina Moura da acusação de vendido aos interesses espanhóis.
Quanto à sua proverbial ‘coerência’ era bom que os eleitores a recordassem. Coerência que o fez co-redactor do primeiro programa do CDS, chegar a líder do PSD até ser corrido por Sá Carneiro, ser ministro de Pintasilgo e embarcar no PRD, militar e renegar o cavaquismo, e, finalmente, exaltar e trair o guterrismo.
Como é óbvio, não é com esta entusiasmante opção que o PS vai combater a abstenção e ter um apoio confortável. Vai, sim, tentar ‘nacionalizar’ as europeias e fazer delas um plebiscito ao índice de popularidade governativo.
Sobre a Europa não será provável ouvir muitas palavras. Talvez com a excepção dos excessos esquerdistas e anti-americanos, mas sempre extravagantes e animados, de Ana Gomes!
Cabe agora à maioria contrapor à cinzenta candidatura socialista, uma outra, moderna, e que fuja aos modelos estereotipados do aparelho.
A primeira opção devia surpreender pela novidade. E novidade era uma lista comandada por um empresário independente, como Belmiro de Azevedo, por um jovem gestor de sucesso, como António Mexia, ou por um político de outras águas, como Paulo Teixeira Pinto. Oxalá houvesse essa ousadia, em vez de mais do mesmo.
Depois, não se deve ter receio de discutir a situação política, recordando, por exemplo, que uma política económica só colhe frutos a médio prazo. Assim, a sementeira de hoje foi de quem governou com irresponsabilidade durante 6 anos, 2/3 dos quais sob a batuta de Sousa Franco.
E é preciso falar da Europa, da que queremos e da que repudiamos. A favor da igualdade possível entre grandes e pequenos, do respeito pela identidade nacional e contra o Directório Franco-Alemão.
A bem de Portugal, oxalá o resultado não venha a ser, como é costume, um embate de aparelho, com 70% de abstenção e um sensaborão zero a zero.
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Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
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