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O debate, porém, foi escasso sobre as responsabilidades dos media e dos jornalistas na crise que os afecta: ainda antes da crise e quebra de publicidade, os media entraram numa estratégia colectiva suicida quando decidiram oferecer pela Internet a mais importante mercadoria que tinham para vender: as notícias. A publicidade nunca chegou para sustentar a actividade na Internet. E, ao fim de dez anos, os media ainda não se juntaram numa estratégia colectiva para salvar o seu jornalismo cobrando pelos seus conteúdos.

No Prós & Prós, não participou um único jornalista de TV. O jornalismo televisivo também sofre com a crise, mas continua viçoso: os noticiários generalistas das 13h00 têm uma audiência de 1,5 milhões e os das 20h00 de quase três milhões. Os canais informativos de cabo têm 70 mil espectadores em média. A maioria dos portugueses informa-se pela TV. A queda de tiragens da imprensa, sendo a principal excepção o CM, indica que muitos portugueses não podem pagar ou não sentem os jornais que temos como "seus". Assim, os jornalistas deveriam reflectir sobre as suas próprias responsabilidades na crise da imprensa. Seria bom que a Conferência dos Jornalistas, no dia 24, não iludisse essa questão, ficando-se por lamúrias e reivindicações.

Cada vez mais portugueses prescindem de comprar jornais por acederem a informação de forma quase gratuita na TV e na Internet, considerando-a suficiente para o nível de cidadania que se atribuem: por considerarem que alguns jornais pouco acrescentam ao que já leram ou ouviram ou por apenas reproduzirem valores hegemónicos dos poderes; por os jornais não lhes proporcionarem, por norma, informação que considerem valiosa. A maior parte da informação repete-se de media em media. Por isso, ganhou importância o espaço de opinião dos media: é dos poucos conteúdos em que cada um deles se distingue. No debate, referiu-se que os blogues não são jornalismo, o que é verdade: mas encontramos neles e noutros sites na Internet, quer muita informação que os media não divulgam apesar de verdadeira e relevante, quer análises muito interessantes. Os jornais que fazem jornalismo alternativo ao da TV e atendem ao interesse geral são aqueles que têm resistido mais à crise e ao desinteresse dos cidadãos. Só vejo dois caminhos para os jornais: cobrarem pelos conteúdos na Internet e, em alguns deles, deixarem de escrever só para os amigos e procurarem com coragem informação alternativa à das TV.

A VER VAMOS

EM COMPASSO DE ESPERA, A RTP VOLTA A ENDIVIDAR-SE

Segundo o CM, a RTP endividar--se-á em 2013 em mais 10 a 20 milhões. Outras informações referem que o empréstimo poderá rondar os 35 milhões. Pelas minhas contas, a RTP receberá do Estado e dos cidadãos cerca de 230 milhões, ou 630 mil euros por dia, sem contar com as receitas comerciais. Isso significa que a gestão da RTP não está a reformar a empresa para que prescinda das entradas directas de dinheiro do Estado (as chamadas "indemnizações compensatórias") e de empréstimos, que se julgavam proscritos pelo governo. Das duas uma: ou a gestão da RTP está lá para manter tudo na mesma (ainda não se viu qualquer mudança) ou espera por uma decisão do governo sobre o futuro da empresa, prometida ainda para este ano.

JÁ AGORA

O COMENTADOR QUE DÁ NOTÍCIAS

Luís Marques Mendes tem informação privilegiada por ter sido presidente do principal partido no governo. Mas não só: também a tem porque a procura, para enriquecer o seu comentário na TVI24. O que impressiona não é que ele a tenha e a procure, mas que a classe jornalística não chegue primeiro às informações, muitas vezes públicas e muito relevantes, que ele divulga.

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