Na verdade, celebrar o quê? Figo, que é uma sombra triste do jogador de há dois anos? Ou, em nome de Figo, a selecção nacional, que foi ao Oriente para perder com equipas sem história e golear os dóceis polacos? Em tempos, futebolistas como Garrincha, Maradona e Obdulio Varela serviram de musa a poetas vários - mas depois de serem campeões pelos respectivos países, e depois de confirmarem a sua inquestionável excelência.
Em si, porém, o poema do sr. Alegre constituiu apenas um leve sintoma. O problema é que, por estes lados, abundam as oportunidades para o ridículo se alastrar. Tivesse a selecção ganho, não faltariam sonetos e sinfonias até ao embaraço seguinte. Sendo eliminada, chutou-se a cultura para "corner" e o sr. Oliveira mandou entrar em campo a conhecida táctica do queixume.
Segundo esta estratégia muito nossa, também utilizada com galhardia após a meia-final do Europeu de 2000, Portugal não perde devido a jogar pior do que os adversários. Nem pensar nisso. Portugal perde graças a um complexo somatório de factores, a saber: a) porque somos "pequenos"; b) porque os árbitros nos roubam; c) porque "isto" está tudo comprado; d) em suma, porque o "negócio" é que manda no futebol. O sr. Oliveira pode não ser famoso a escolher jogadores, mas é um perito em matéria de conspirações.
Claro que o bom senso sugere certas interrogações. Por exemplo: qual o "negócio" que resulta do apuramento dos Estados Unidos, um país em que o futebol goza de uma popularidade semelhante à do xadrez? Ou: que perniciosos lucros obtém a FIFA com as eliminações de França e Argentina? Ou ainda: que interesses terríveis se ocultam atrás da anulação de quatro golos à Itália?
Normalmente, os portugueses compram as patranhas conspirativas. Desta vez, na sua maioria e para meu declarado espanto, não compraram. Desta vez, os portugueses viram e admitiram que a "sua" selecção, alegada favorita à vitória na prova, começou com uma exibição atroz, prosseguiu em tom sofrível e concluiu a choramingar. Ficou-se pelos "oitavos" e nada (Pauleta e Bento à parte) indiciou que pudesse ir muito além.
É por isso que inúmeros adeptos gostariam de presentear o sr. Oliveira e os "Tugas". Suspeito é que não será com a calorosa recepção solicitada pelo Presidente da República. Nem, é óbvio, com poesia heróica. Agora, o próprio Manuel Alegre reclama cabeças. Os foguetes, perdão, os poemas gastaram-se antes de uma festa que não houve.
2. Ao fim de três jogos, entre ligeiros altos e fundos baixos, saímos do Mundial rendidos à nossa atávica menoridade. E agora? Agora resta-nos o Brasil. Durante séculos, mal ou bem, restou-nos sempre o Brasil para compensar as nossas desditas. O futebol não é só uma metáfora da História, mas o seu prolongamento lógico.
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Por Carlos Rodrigues
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