Um dos mais célebres epigramas modernos é o de Andy Warhol sobre a celebridade: “No futuro, toda a gente será famosa durante 15 minutos.” Bingo. A esmagadora maioria dos colunáveis de hoje tem a consistência de um holograma. São famosos por serem célebres (e vice-versa). A ânsia patológica pela notoriedade instantânea gerou inúmeros excrementos televisivos, como o ‘Big Brother’. A versão portuguesa, emitida pouco tempo depois do advento dos canais privados, entronizou a TVI como a emissora de maior audiência e desencadeou uma nefanda corrida entre as estações, para ver quem baixava mais o nível.
O próprio título do programa é instrutivo: deriva de um romance de George Orwell (‘1984’) no qual o Grande Irmão é o olho electrónico do líder totalitário, que vigia permanentemente os cidadãos. Ora, no programa de TV, a iniquidade adquiriu uma conotação positiva… Em vários países o trambolho continua vivo, em edições sucessivas. Em comum, a sordidez escabrosa e o sensacionalismo sexual. No ‘Big Brother Brasil 8’, na semana passada, uma concorrente embriagada mostrou o traseiro e urinou no tapete. Há até um Big Brother II Divisão, o ‘Celebridades Paranormais’, no qual refugos ‘célebres’ (do ‘American Idol’, ‘America’s Next Top Model’ ou da série ‘Marés Vivas’) exploram “sítios assombrados”. Faz sentido: são fantasmas da fama, co-mo os avatares lusos – o tal de Zé Maria, que pirou, e um colega do programa, que foi parar à prisão. Como a TVI servirá em Setembro mais uma dose, eis 4 sugestões de reciclagem.
1) BIG FROUXOS – Doze impotentes, completamente flácidos, vigiados por câmaras ocultas 24 horas por dia, trancados numa casa cheia de boazonas, insaciáveis, ninfomaníacas e pedinchonas.
2) BIG CUS – Duas nádegas confinadas num biquíni exíguo, durante três meses, vigiadas 24 horas por dia por 12 marmanjos tarados e sedentos de sexo. Consoante as suas tendências ideológicas, os telespectadores torcerão pela nádega da esquerda ou da direita (claro que alguns torcerão pelo bloco central).
3) BIG DAMAIA – Doze imigrantes, escravizados numa fábrica clandestina e submetidos a uma rotina de trabalhos forçados, 24 horas por dia. O espectador acompanhará tudo, sem perder uma chibatada. Toda a semana, um escravo, escolhido pelo público, será eliminado (com um tiro de misericórdia). Ou será que algum deles conseguirá escapar à matilha de pitbulls e denunciar a coisa às autoridades, que prometerão apurar a verdade “até às últimas consequências”?
4) BIG GAMANÇO – Doze deputados, presos numa casa durante três meses. Mas como em Portugal político não fica preso, ninguém vence: saem todos num piscar de olhos, com os seus magníficos advogados.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.