A deputada Maria de Belém, do PS, revelou inquietação por o auxílio em alimentos e vestuário poder ferir a dignidade das pessoas. Em palavras veladas, sugeriu que vem aí uma espécie de ‘farda de pobre’. Talvez fosse só retórica partidária se Pacheco Pereira não clamasse, anteontem, contra o mesmo monstro. Ele arrasou as IPSS porque visitou um centro numa campanha eleitoral e quiseram pôr uma criança a cantar para ele.
O importante é, primeiro do que tudo, ajudar quem necessita de comer e de vestir, e que são muitos, pelo que tenho encontrado. A seguir, acabar com o fantasma. Nada tenho contra os bonés à Pisco da antiga UDP, nem os sobretudos ‘loden’ da campanha de Freitas do Amaral. Nunca me senti prejudicado na liberdade por usar bata branca na escola primária. Sei que as Misericórdias existem há mais de 500 anos e que as Conferências de São Vicente de Paulo nasceram para ajudar os pobres 15 anos antes de Marx publicar o ‘Manifesto Comunista’. Mais, que o bem-estar das pessoas está no preâmbulo da Constituição dos EUA há 235 anos, mas a portuguesa só fala de "caminho para uma sociedade socialista". Basta.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.