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Francisco Moita Flores

Francisco Moita Flores

Professor universitário

Fome

03 de outubro de 2010 às 00:30

Esta semana, José Sócrates apresentou uma receita orçamental com a fórmula dois em um. Apresenta em linhas mestras o orçamento em que espatifa o poder de compra e a capacidade de sobrevivência de milhões ao mesmo tempo que acciona um conjunto de medidas com efeitos a partir do próximo mês. Uma espécie de PEC3. O desemprego vai aumentar, o recurso ao crédito vai ser ainda mais difícil, muitas empresas irão chegar ao fim e nós voltamos à estaca zero do nosso descontentamento. Poder-se-ia dizer que todos estávamos à espera disto, mais dia menos dia, e agora que chegou a negra novidade percebemos que afinal de contas há um discurso só de promessas e há outro, que aparece de vez enquanto, sobre a realidade.

Isto não é política. É um jogo de mistificações e quem se lixa é sempre o mesmo, ou seja, o mexilhão. Isto é, o povo que paga, o povo que ainda trabalha e aqueles que dia-a-dia dão o seu melhor para que este país tenha futuro. A multidão de oportunistas, de boys, de indivíduos que vivem à custa do orçamento e à nossa custa, à espera apenas da próxima campanha eleitoral, aí estão, quietinhos, sossegadinhos, sem um resmungo que seja. Vamos viver uma situação que traz fome e miséria. Quem se recorda dos inícios da década de oitenta, com uma situação económico-financeira menos grave, ainda sente hoje o que foram aqueles anos de sofrimento e de sacrifício. Foi então que surgiu um dos grandes homens da Igreja, o bispo D. Manuel Martins, que veio impor o grito da revolta contra a injustiça e o desfalecimento do povo da península de Setúbal. Perante o estado de choque em que vivemos, percebe-se que a classe política esteja desorientada.

O PSD, pela voz de Passos Coelho, insistiu, repetiu, impôs cortes drásticos na despesa, em vez de aumentos de impostos. Deve insistir para que se reduza mais a despesa, que se acabe com os institutos que apenas albergam decrépitos e frustrados militantes partidários, e ao mesmo tempo procurar ali-viar a carga de impostos. Já se viu que só assim vamos sair deste buraco, e Passos Coelho faz bem em não sair dessa posição de compromisso e negociação, pois mais importante do que os interesses partidários que exaltam o histerismo e a prédica fácil, há um país que é a terra dos nossos filhos, que não pode ser entregue ao folclore político e que tem que ser retirado a quem não o sabe governar e não é confiável. Ao menos que os nossos filhos e netos tenham direito à esperança. Ao menos isso.

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