Por cada Rui, um crime colectivo. Uma omissão. Um crime público. Rui, desculpa-nos teres nascido num País da Europa onde, ao descobrirmos que não somos ricos, perdemos os valores. Desculpa-nos por, enquanto Nação, não estarmos a conseguir dar as mãos para garantir que nenhuma criança passe pela provação da fome, apesarda crise.
A principal crise, Rui, corrói os valores. Por estes dias, Portugal está cheio de macro-gaspares e micro-gaspares, todos cheios de dogmas, punições e erros de cálculo. Um nas finanças, muitos nas escolas, repartições, sindicatos. Todos a quererem provar o seu ponto por cima de toda a humanidade.
A principal crise, Rui, é a de quem não resolve mas julga. A crise é um autismo social incapaz de estabelecer prioridades.
Rui, no ano em que nasceste, outros cento e dez mil bebés gritaram à vida em Portugal. E, no ano em que desfaleces de fome, nem oitenta mil bebés libertarão os pulmões para o ar inicial. E este é o pior sinal de todos.
Também à tua mãe, essa senhora a que te unes na foto, devemos um grande pedido de desculpas. Achou ela, talvez, por mais impreparada, desditosa ou desprevenida, que a ti nunca faltaria esse amor umbilical, e o essencial para cresceres e te fazeres um homem bom. Amor, comida, saúde, casa, educação – que mais precisa cada átomo de um Povo para o fazer melhor?
Rui, não temos de ver a tua carita para adivinhar a amargura de quem não entende por que há-de estar a passar pela tortura da fome. Que mal fizeste tu, miúdo?
Precisamos de nos unir. Urge celebrar um pacto – casa a casa, escola a escola, terra a terra. Por mais que nos custe em esforço, dedicação, ou mesmo privação, nenhuma das nossas crianças sofrerá com fome. Ou não merecemos o nome de Portugal.
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Por Carlos Rodrigues
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