De um lado, a ‘Casa da Liberdade’, difícil coligação de capitalistas populistas e neofascistas reciclados, regionalistas rebarbativos e democratas cristãos renascidos, sob a batuta de um maestro incómodo, chefe de televisões, amigo de Putin, flamejante e desbragado.
Do outro, a igualmente delicada ‘União’ de nove partidos, com ‘democratas de esquerda’, ex-eurocomunistas, libertários, arautos do ‘estado social’, neotrotsquistas e municipalistas. E a ‘Margarida’, de Francesco Rutelli. À cabeça, um ex-comissário europeu de resultados mistos, professor ponderado e (in)dolente, vencedor há dez anos, que promete a Renascença. O sufrágio proporcional dirá.
Ontem, um dia depois de Sócrates sair de Luanda, fuzileiros portugueses, a bordo da fragata ‘Corte Real’, iniciaram manobras sofisticadas com os homólogos angolanos (que aliás treinaram). Iniciou-se também o Fórum Parlamentar da Língua Portuguesa. Apesar da obra gigantesca, de Cabinda ao Cunene, o país precisa de reconstruir tudo (fala-se em 16 mil milhões de dólares de projectos, nos próximos anos), e os dois países mais capacitados da CPLP (Portugal e Brasil) estarão na linha de partida.
O investimento em Angola é útil, virtuoso, racional, mas ambicioso (até visionário). Pode mesmo dizer-se que, para jovens portugueses saídos das escolas, é uma óptima alternativa ao desemprego, à marginalidade, ao desespero. Se a política externa de Lisboa souber nutrir este objectivo estratégico e explicar que a dimensão africana não é (só) uma forma superior de poesia, voltamos aos grandes projectos. Precisamos deles, como de pão para a boca. Claro que, no areal, estará o Velho do Restelo.
Foi académico, ensaísta, protector dos desvalidos, missionário jesuíta e diplomata. Navarrês bem-nascido, morreu sem bens, à vista de Cantão, depois de uma vida de entrega. Serviu Portugal com brilho, nem sempre reconhecido. 500 anos depois, S. Francisco Xavier é justamente celebrado na Cordoaria Nacional.
A China pediu aos Rolling Stones que não cantassem em público, em Xangai, seis temas ‘explícitos’, como ‘Honky Tonk Woman’. O grande timoneiro, Mick Jagger, ironizou: “É sempre bom ver Pequim proteger a fibra moral dos banqueiros internacionais e suas namoradas, que virão ao nosso concerto.”
O Iraque continua sem governo. A força internacional de protecção enerva-se. Os países vizinhos prosseguem as suas políticas equívocas. Entretanto, sofre-se, e sabemos quem ganha com a promessa de caos.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.