Quando militares perdem a cabeça a este ponto, por mais justas que sejam as reivindicações, e até são, não é apenas a instituição que sai desprestigiada. Somos todos nós, que esperamos dos militares o cumprimento escrupuloso da ordem pública e nos vemos confrontados com desordeiros. Há limites de protesto que as forças de segurança não podem ultrapassar.
Falta--lhes, depois, a autoridade moral para reprimir outros que, procedendo de igual forma, não se abrigam no estatuto profissional. O sindicalismo no quadro das polícias e das forças militares tem limites que não coincidem com os direitos sindicais de outros serviços e forças de trabalho. E não podem ter. Para que não existam casos tão tristes como aqueles que pudemos testemunhar.
Dito isto, a verdade é que os profissionais da GNR, tal como da PSP, estão a braços com dificuldades tremendas. Quer no que respeita aos estatutos salariais quer à barafunda completa no que respeita às carreiras e organização. Barafunda que rapidamente gera profundas revoltas e insatisfações, quando daquilo que se sabe das futuras reorganizações, a novidade maior é o reforço de mais generais nos comandos da GNR. Rapaziada sem emprego nas forças armadas e que vai para uma instituição, ainda que seja militar, em verdadeiro estado de analfabetismo policial. Recebem honras e mordomias e terão sempre por perto o adjunto ou ordenança que lhes trata dos assuntos que nunca estudaram, viveram ou percebem.
A GNR faz serviço de polícia e mandaria a lógica que fossem polícias, ainda que militares, a comandar. Mas não. Serve de caixote de entulho para os generais sobrantes de outros activos. Quanto às carreiras, promoções e estatuto remuneratório, chegou-se a um ponto que nem dá para acreditar. Num momento tão difícil da vida do país, em que os crimes que provocam maior insegurança se multiplicam, em que a amargura, o sofrimento e a revolta podem levar a situações críticas no que respeita às ameaças de paz pública, continuar a chutar para o lado os problemas que minam a capacidade operacional da PSP e da GNR é brincar com o fogo. Quando ele atear, não vai haver general que nos salve.
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Por Carlos Rodrigues
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