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Fernando Calado Rodrigues

Fernando Calado Rodrigues

Padre

Guerra e a Igreja na Ásia

05 de abril de 2013 às 13:59

O fantasma da guerra nuclear ergue-se de novo sobre o mundo. De tempos a tempos, ressurgem os temores, que pareciam enterrados com o fim da guerra fria, da destruição do planeta como resultado de uma guerra global.

A retórica norte-coreana fez ribombar os tambores de guerra. Os analistas pensam que é a forma encontrada por Kim Jong-un para, a nível interno, consolidar a sua liderança. Num país em que a cultura valoriza o saber dos mais velhos, não é fácil para um chefe de Estado impor-se com apenas 30 anos. Mas esta estratégia, por um "erro ocasional" ou uma "falha técnica", pode despoletar o conflito militar na Península Coreana, como advertiu o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Igor Morgulov.

O Papa Francisco, na sua mensagem pascal, depois de apelar à paz no Médio Oriente e em África, com uma curta frase, pediu a Paz também para a Ásia, "sobretudo na Península Coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação". O Vaticano está, certamente, atento ao evoluir da situação naquela parte do globo, até porque na Coreia do Sul o cristianismo cresceu exponencialmente desde a década de sessenta. Então, os cristãos eram 2% da população, hoje passam dos 30% – dos quais mais de 10% são católicos. Em 1960, os sacerdotes católicos eram apenas 250, hoje ultrapassam os 5000. A Igreja Católica é a que mais cresce na Ásia, contrastando com o que acontece no Mundo Ocidental.

De acordo com um artigo de Piero Gheddo, publicado em abril de 2012 no jornal italiano ‘Avvenire’, "os coreanos manifestam uma forte propensão ao cristianismo, porque introduz a ideia de igualdade de todos os seres humanos criados pelo único Deus. Além disso, tanto católicos como protestantes participaram do movimento popular contra a ditadura militar, entre 1961 e 1987, ao passo que o confucionismo e o budismo promoviam a obediência à autoridade constituída".

Ainda segundo essa reportagem, "é evidente o entusiasmo dos leigos batizados", que lançaram o programa ‘Evangelização 20-20’. Pretendem, até 2020, converter 20% dos sul-coreanos.

A Oriente abre-se um horizonte de esperança para o catolicismo, com o seu epicentro, precisamente, na Coreia do Sul.

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