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Portugal devia ir pedir o horóscopo à Maya. José Sócrates e Pedro Passos Coelho poderiam marcar uma consulta a dois. Em vez de governar – ou de liderar a oposição – de acordo com as sondagens, talvez fosse mais indicado fazê-lo a partir da carta astral do País.

Não é uma ideia tão estapafúrdia como pode parecer à primeira vista. O poeta Fernando Pessoa, que tinha uma forte costela de ocultista, chegou a prever que Portugal iria terminar os seus dias em 2088. Ou melhor, 2088 assinalaria o fim de um ciclo de vida iniciado a 5 de Outubro de 1143, data do Tratado de Zamora, quando Afonso Henriques conseguiu a independência nacional, depois de vencer a Batalha de Ourique contra os muçulmanos.

Pelo que estamos a assistir, pode ser que a vida, ou pelo menos a independência conquistada pelo primeiro rei, termine bem antes da data prevista por Fernando Pessoa. Para já, Portugal está no prego dos mercados e vai ser difícil retirá--lo da penhora internacional.

A última sondagem da Aximage para o Correio da Manhã é sintomática do fracasso das estratégias seguidas pelas lideranças dos dois principais partidos. PS e PSD estão em queda livre nas sondagens, tal e qual como o País nas agências de rating. Passos Coelho já só consegue um empate técnico com José Sócrates. O braço--de-ferro do Orçamento não prejudica apenas a credibilidade de Portugal.

É tempo de o presidente do PSD meditar nesta triste evidência: depois de assinar o PEC 2 e de aceitar dançar o tango com o governo, tornou-se co-responsável aos olhos dos portugueses pelo estado da nação. Pede-se agora que não caia na segunda armadilha do secretário-geral do PS.

Mais do que a ninguém, interessa a Sócrates que o Orçamento seja inviabilizado. Seria uma forma expedita de fugir do pântano em que mergulhou o País, culpando os partidos da oposição – e Passos Coelho em primeiro lugar – pela bancarrota e consequente entrada do Fundo Monetário Internacional.

Se o primeiro-ministro não actua em função do interesse nacional, deve pedir-se a Pedro Passos Coelho que assuma essa bandeira. Sem esquecer a qualidade de líder da oposição, não pode deixar de viabilizar o Orçamento. Há ainda tempo para emendar a rota mas no dia em que anunciar a decisão terá de fazer mais para conquistar a confiança dos portugueses. Passos Coelho precisa de apresentar uma alternativa política clara, uma nova estratégia económica e uma equipa credível.

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