A igreja ortodoxa, segundo as notícias veiculadas, é a maior proprietária da ilha de Chipre, possuindo ativos no valor de dezenas de milhões de euros. Chrysostomos II revelou que, para salvar o país da crise, a Igreja que lidera está disposta a hipotecar todo o seu património para adquirir obrigações do Tesouro.
Ainda que os bens da Igreja Ortodoxa chegassem a uma centena de milhões de euros, representariam sempre uma pequena parte dos 5,8 mil milhões de euros que o Governo pensava recolher pela imposição de uma taxa aos depósitos bancários. Mesmo assim, é de louvar a solidariedade do líder ortodoxo para com os problemas do país.
Na sequência destas notícias, começaram logo a circular e-mails na Internet a louvar a atitude da Igreja Ortodoxa e a criticar a Igreja Católica por não fazer o mesmo com o seu património.
Num deles podia ler-se: "É a 1ª vez que vejo uma igreja a colocar toda a sua fortuna ao serviço de um país. Esta, sim, é uma verdadeira Igreja… Impensável aos bili...li...lilhões do Vaticano."
Ainda que não tenha chegado ao ponto de hipotecar o seu património, o Estado do Vaticano, através das mais variadas organizações católicas, angaria e orienta para os mais desfavorecidos do mundo milhares de milhões de euros.
Só a Cáritas internacional, segundo o último relatório de contas disponível on-line, o de 2010/11, desenvolveu programas de ajuda aos mais pobres no valor de quase dois mil milhões de euros. Em 2010, os Estados Unidos contribuíram com cerca de 1,2 mil milhões de euros para o Banco Mundial, o principal instrumento internacional utilizado para fazer chegar as dádivas dos estados e dos cidadãos aos povos mais necessitados. O donativo norte-americano foi o único a ultrapassar a fasquia dos mil milhões, a que se seguiu o da Alemanha.
Aquele comentário é, no mínimo, injusto para com toda a ação social da Igreja Católica.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.