Isto leva-nos a recordar o muito que a humanidade registou em documentos históricos e literários sobre crises semelhantes. É o caso de clássicos como o ‘Decameron’, de Bocaccio, ou a ‘Morte em Veneza’, de Thomas Mann, situados precisamente num contexto de peste. Mas a mais impressionante reflexão sobre os efeitos que uma epidemia pode ter na natureza humana encontra-se talvez no romance de Albert Camus ‘A Peste’ (1947). A dado passo desse romance, numa cidade cercada militarmente para conter um surto de peste, dois médicos conversam após um dia de trabalho arrasante no hospital local. Um deles, o Dr. Tarrou, afirma que um médico tem o dever de lutar sem descanso contra o flagelo, enquanto o outro pergunta, com subtil cepticismo: se, por causa do cumprimento estreme do dever, se deixar de amar tudo o mais, de que vale esse esforço?
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.