Carlos Moedas
Presidente da Câmara de LisboaO verão é o tempo ideal para recuperar leituras perdidas. Para mim tornou-se um costume insubstituível nesta altura. Foi assim que tropecei na famosa piada do Presidente Lyndon Johnson, que dizia que, se algum dia fosse apanhado a fazer a proeza de caminhar na água, os títulos de jornal depressa escreveriam: “O Presidente não sabe nadar!”.
São várias as vezes que nos sentimos assim na política, e principalmente quando se tem a audácia de fazer algo novo. Obama explicou-o bem na sua autobiografia: “fazer significa sujeitar-nos à crítica e a alternativa – jogar pelo seguro, evitar controvérsia, seguir as sondagens – era não só uma receita para a mediocridade, como também uma traição das esperanças dos cidadãos que votaram em nós.” Quando cheguei à Câmara Municipal de Lisboa não podia jogar pelo seguro. Depois de 14 anos de governação PS, encontrei uma cidade governada sem ambição, inerte e acomodada: havia uma crise de habitação, mas só se tinham construído 17 casas públicas por ano na última década; o Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), essencial para o futuro, estava a ser adiado há 15 anos; havia um caos nas ruas com trotinetas e tuk-tuks; milhares de idosos lisboetas não tinham acesso a um médico; a frota da Carris estava velha e nada sustentável; o lixo acumulava-se pela cidade; e até para receber o Papa Francisco, na JMJ, nada estava preparado…
Esta foi a Lisboa que encontrámos em outubro de 2021. Após 4 anos muito mudou. Desde logo na habitação: das 17 casas construídas por ano numa década passámos para as 1800 construídas e reabilitadas em 4 anos, para além das 2700 chaves entregues e do apoio dado a 1200 famílias a pagar a renda. Na mobilidade implementámos transportes públicos gratuitos para os idosos e jovens, permitindo a mais de 105 000 lisboetas usar gratuitamente o metro, o autocarro ou o elétrico. Também renovámos a frota da Carris, na qual hoje metade dos veículos são sustentáveis. Na saúde, lançámos um plano gratuito que assegura o acesso a um médico a mais de 16 000 idosos lisboetas, sem esquecer a disponibilização de mamografias gratuitas para as mulheres lisboetas com menos de 50 anos. Investimos mais nas nossas tradições, aumentando em 50% o investimento nas Marchas Populares. Lançámos 4 museus e 7 teatros, e facilitámos o acesso a equipamentos culturais com o Passe Cultura, usado por 33 000 lisboetas.
Fizemos muito nos últimos 4 anos. Tanto nas pequenas coisas que fazem a Lisboa do dia-a-dia, como a higiene urbana – onde reforçámos meios e pessoal e aumentámos circuitos de recolha –, como também nas grandes coisas que nos fazem sonhar, como os 16 000 empregos anunciados pelas dezenas de tecnológicas que escolheram Lisboa graças à nossa aposta na inovação.
Mas é tudo isto suficiente? Sei bem que não. Não se pode exigir que resolvamos em 4 anos os problemas criados em 14 anos. Mas sei que muitos lisboetas hoje se sentem frustrados. Frustrados porque veem que os seus filhos ou netos não conseguem comprar uma casa em Lisboa. Muitos exigem, com justiça, que Lisboa não pode perder a sua alma e identidade. Muitos querem, com razão, uma cidade mais segura. Digo-vos olhos nos olhos: compreendo a vossa frustração. Eu também me sinto frustrado por não ter conseguido fazer tudo aquilo que propus – muitas vezes por obstáculos que a oposição criou, outras porque tive de fazer escolhas difíceis, como no caso da Avenida Almirante Reis. Aqui a escolha era concretizar finalmente o túnel de drenagem (que passa na avenida) e adiar a mudança da Almirante Reis, ou adiar mais uma vez o PGDL para mudar a Almirante Reis. Escolhi o essencial para Lisboa: fazer o PGDL.
Por isto é que é tão importante, no dia 12 de outubro, conseguirmos as condições plenas para governar a cidade sem obstáculos. Se em 4 anos mostrámos tanto trabalho feito em minoria, imaginem o que poderíamos fazer com uma maioria? Poderíamos ajudar os jovens lisboetas a encontrar uma casa a preços acessíveis nos nossos bairros históricos. Poderíamos resolver estruturalmente os problemas na higiene urbana. Poderíamos voltar a ter guardas noturnos em Lisboa que zelassem pela nossa segurança.
Do que tenho a certeza é de que não podemos comprometer agora tudo o que fizemos. Lisboa e os lisboetas não merecem voltar para trás. Essa será também a sua escolha: continuar este caminho de mudança positiva, que junta moderados do centro-direita e do centro-esquerda, ou parar tudo e enveredar pelo radicalismo revanchista do Bloco da Esquerda. Será a escolha entre a moderação que faz e o radicalismo do contra. Entre quem trabalha pelos lisboetas e quem se quer vingar por nunca ter aceitado a derrota. Entre a ponderação de quem defende os nossos polícias e a impulsividade de quem lidera manifestações contra a polícia.
É isto que está em jogo no dia 12 de outubro. Da minha parte, os lisboetas sabem que o meu compromisso é com a cidade. Não me candidato contra ninguém. Candidato-me por Lisboa. Sempre por ti, Lisboa.
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