page view

1. Quem vê nos "telejornais" as manifestações anti-Bush em Londres acredita, com certeza, que o homem é tão odiado em Inglaterra quanto o sr. Scolari parece sê-lo no Porto. E, no entanto, sondagens recentes (do insuspeito "Guardian") demonstram que a maioria dos britânicos aprecia o sr. Bush, que uma grande maioria dos britânicos está a favor da intervenção no Iraque, e que a generalidade dos britânicos se acha inequivocamente pró-americana. Mas que querem? É sabido que as minorias ruidosas possuem incomparável talento para o ‘marketing’, e que a raiva é muito mais "mediática" que o assentimento discreto.

Claro que não se pode tratar de modo semelhante ingleses e iraquianos, nem comparar uma sociedade aberta com um contexto praticamente feudal e largamente absurdo. Mas, em boa medida, a exacta ilusão de óptica que a visita de Bush provoca pode ser transposta de Londres para Bagdad sem prejuízos de monta. Os atentados regulares às forças "invasoras" (sem aspas, se quiserem) são transmitidos como se se tratassem de uma vasta reacção popular a um inimigo comum e detestado.

O que talvez seja um exagero. No Iraque, as sondagens variam, em orientação e credibilidade. Ainda assim, e dando de barato que os EUA não gozam por lá de notória simpatia, nada indica que os ataques às tropas aliadas constituam mais que a obra de uns milhares de criminosos, resquícios dos sunitas de Saddam ou migrantes da Al-Qaeda e bandos afins. De resto, o número de militares ocidentais mortos desde o início do conflito – e que os "média" tomam à conta de uma sucessão de golpes devastadores – não anda longe das vítimas das estradas portuguesas em três ou quatro meses.

Mesmo ignorando os progressos da actual reconstrução económica e social do Iraque, pode--se discutir se as sequelas do derrube de Saddam foram devidamente previstas no plano militar. Se calhar, não foram. O que não justifica a hipocrisia reles dos que "exigem" uma nação pacificada e democrática enquanto o dr. Soares esfrega um olho. Questionado a propósito (do Iraque, não do olho do dr. Soares), um historiador americano lembrou, apenas meio a brincar, que a ocupação da Alemanha dura há 58 anos.

Para os rebanhos que não mencionam George W. Bush sem acrescentar os qualificativos de "cowboy" ou "labrego", "monstro" ou "tirano", era uma delícia que os EUA abandonassem o Iraque de imediato, trocando o caos vigente por outro caos, de proporções dificilmente imagináveis mas sempre festivas. Os "média", ou parte deles, fazem eco desta suave disposição. O que não espanta. Trágico seria que Bush, em nome de um cínico calendário eleitoral, lhes desse ouvidos.

2. A selecção portuguesa de futebol saiu do Euro’2000 aos berros e do Mundial de 2002 ao murro. Esta semana, os rapazes da equipa de sub-21 entraram no Europeu da modalidade demolindo sem hesitações um balneário francês. O progresso é notório.

As gloriosas campanhas dos seniores já haviam sido positivas, levando o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, graças a uma vocação única para o regabofe. Faltava, contudo, um pouquinho mais de garra, de vontade. Felizmente, garra é o que os nossos jovens jogadores possuem em abundância. Merece particular realce o jogo aéreo, que deixou à nora o tecto falso. Embora também fosse injusto esquecer uma cultura táctica que arrasou as partes baixas da sala, e os preciosismos técnicos responsáveis pela destruição de uma chaleira, entre outras maravilhas que nos enchem de orgulho.

Esperemos é que o País se revele à altura destes naturais talentos. Se lhes soubermos dar as condições e o carinho necessários, só Deus sabe as alegrias com que os sub-21 nos retribuirão no futuro. Por enquanto, e a julgar pelas reacções da Federação e do secretário de estado da bola, podemos estar optimistas.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Adeus, Jogos ‘Wokelímpicos’

Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.

Constituição

Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.

Blog

Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8