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Economicamente, sempre fomos mais adeptos de gastar do que de produzir – a prova é que passámos anos a consumir como país rico e a produzir como país pobre, privilegiando o estado social em detrimento da competitividade económica. Ao nível empresarial, a generalidade das nossas empresas fez uma clonagem perfeita do Estado – usar e abusar de crédito foi o caminho fácil para um endividamento insustentável.

Receio bem que mais tempo signifique, na prática, repetir estes vícios. Primeiro, mais tempo significa mais dinheiro. Ora, mais dinheiro significa mais dívida e mais dívida pressupõe sempre mais impostos para pagar. Depois, mais tempo é um sinal de laxismo. Com mais tempo vamos ser tentados a fazer o que fizemos durante anos – adiar reformas, mudanças e ajustamentos. É um vício muito português. Finalmente, mais tempo é uma manifestação de incapacidade. Mostramos que, perante os desafios, em vez de os vencermos, o que temos é medo que eles nos vençam. Sem esquecer que mais tempo não é melhorar mais depressa. É, antes, prolongar a austeridade, o sofrimento e a dependência dos credores.

Claro que tudo isto exige grandes sacrifícios. Obviamente que haverá sempre portugueses desesperados. Evidentemente que a prática política, económica e governativa nem sempre condiz com a teoria e a doutrina. Mas convém nunca esquecer algumas verdades elementares: com mais ou menos tempo o certo é que não há ajustamento sem dor; com mais ou menos tempo a verdade é que um país que viveu artificialmente anos a fio tem agora que se ajustar à realidade; com mais ou menos tempo a conclusão é que o futuro não se constrói com base nos vícios do passado. É pena termos de aprender isto à força. Mas o estado a que o país chegou não nos deixa alternativa. Resta-nos a esperança de um futuro melhor.

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