Não está em causa o mérito de nenhuma das seleccionadas por Jorge Sampaio, mas é uma atávica falta de visão manter apenas comendável quem já tem êxito socialmente reconhecido.
Alguma das milhares de mães coragem que, apesar do desemprego que assola o País, consegue manter a família estruturada e filhos a estudar se revê naquelas mulheres de sucesso? Quem, das centenas de bombeiras que combateram os incêndios de Verão, se acha recompensada por esta cerimónia bafienta onde se distribuem medalhas a gente que, apesar dos seus indiscutíveis méritos, é sempre mais do mesmo?
E o exército de mães negras, que, desde o subúrbio da cidade, faz horas e horas, casa a casa, sol a sol, com um sorriso amigo e competência para contar os tostões que mandam os filhos para a escola, em que momento se vai rever? Também aqui, a visão que se dá da nação nestes eternos agraciamentos de chanel é redutora e desfocada.
Mas é para estas heroínas da rotina desigual que o Dia Internacional da Mulher continua a fazer sentido. Todas as que, apesar de tudo, teimam em fazer dos filhos gente-de-bem.
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Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.