Com uma pequena diferença: Luís Filipe do Benfica agarra-se com todas as forças ao pára-raios do grande clube da Luz; Luís Filipe do PSD teve uma atitude digna e disse ‘basta!’ perante o coro da contestação e, convenhamos, face à realidade de não ter conseguido tirar o maior partido da Oposição de um caldeirão de quezílias, que lhe vem minando, perigosamente, a credibilidade, perante o gáudio de Sócrates (principalmente) e dos seus adversários políticos.
2. Menezes acreditou na força das bases para ‘abrir a cova’ aos barões do partido. Era fácil de perceber que, perante as fracturas exibidas no tecido interno ‘laranjista’, só um milagre poderia salvar Menezes de ser engolido pelo próprio partido.
Também Vieira, no Benfica, acreditou que, perante um discurso dirigido às bases do clube, selvaticamente populista, poderia adiar a percepção de que ‘a instituição’ precisava mais do que ruído e gritaria.
3. Os dirigentes políticos e os dirigentes desportivos têm esta coisa em comum de acharem que o público-alvo é constituído por parolos.
Todos os dias é preciso dizer uma coisa diferente.
Todos os dias é preciso repetir uma coisa que soe, também, a qualquer coisa diferente.
No fundo, ou nos respectivos governos ou na oposição, as palavras significam cada vez menos. Porque, ao fim de tantos logros, já todos entenderam que o discurso não substitui a obra nem a reforma.
4. Menezes cometeu um erro clamoroso e ‘glamouroso’: acreditou que podia estabelecer a diferença com Santana Lopes como líder parlamentar da bancada do PSD.
Obviamente, Santana Lopes já não estabelece a diferença. Só, hipoteticamente, na banda desenhada. Já ninguém o ouve há muito tempo. Já ninguém o leva a sério desde que ensaiou o papel de figurante como primeiro-ministro e tentou ‘ajustar contas’ com os seus inimigos internos.
5. O PSD tem de ultrapassar essa fase ‘faroéstica’: a autofagia alimenta egos, mas só deixa as ossadas à mercê dos abutres de ocasião. O caminho não é esse – e o Partido tem de encontrar alguém, suficientemente forte, sem telhados de vidro, capaz de agregar, sem ligar (estando atento) ao bailado das ‘coristas de igreja’.
6. Vieira também cometeu vários erros clamorosos mas nada ‘glamourosos’: usou José Veiga até à medula e, depois, ensaiou o ‘dois em um’, sem nenhuma vocação para o fazer. Aposta cega em Rui Costa fez o Benfica perder a época em garantia de poder ganhar a próxima.
7. Vieira nunca poderia ter assumido o futebol. A sede de controlo foi tão grande que a centralização na sua figura custou--lhe o abandono de alguns (ex) apoiantes.
Como é que Vieira, consciente do seu erro, tentou camuflar os efeitos de uma centralização desmesurada? Descentralizando em ‘figuras do Benfica’. Vamos dizer: figuras pobres. Com todo o respeito, figuras que precisam mais do Benfica do que o Benfica delas. A contabilização de papagaios vai longa. O Benfica também precisa de ‘massa crítica’.
8. O problema, como no PSD, é que alguns ‘ribaus do Benfica’ (como esse inenarrável Cervan), são fautores de amplificação da irracionalidade clubística. Só vêem cabalas, conspirações, pénaltis por todo o lado. São pagos para intoxicar. Vêm da política para o futebol com aquelas técnicas manhosas de panfleto. Os clubes e os jornais dão-lhes guarida e, com o seu protagonismo, acham-se os maiores.
Ninguém consegue ‘controlar tudo’ e o ‘excesso de controlo’ dá, normalmente, em ruptura.
9. O sistema político precisa de partidos fortes como o sistema futebolístico necessita de clubes fortes. Quem não pensar assim vai contribuindo para que o País acentue o seu atraso cultural.
10. O PSD e o Benfica cruzam--se na mesma alameda: o futuro suscita uma nova exigência e um novo comportamento.
Nota – Menezes espera por uma ‘vaga de fundo’? Só se for por parte do partido do Governo!
Nota 1 – A sedução pelo controlo da Informação colocou o PSD numa situação impensável e insustentável. Com Santana e com Menezes, Rui Gomes da Silva foi o denominador comum da maldição. O joguete da maldição.
Nota 2 – O PSD necessita de recuperar as raízes do partido e afastar a espuma. Sem ‘aventureirismos’ e discursos demagógicos. É o momento dos barões assumirem as suas responsabilidades e não se esconderem.
Nota 3 – Finalmente, Cavaco Silva pôs o ‘sr. Alberto’ na ordem.
Nota 4 – A cultura de rastos, o ensino de rastos, a educação de rastos, mas o acordo ortográfico... é que é! Tenham paciência!
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
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Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.