A - de Assessor
João Gonçalves, assessor de Álvaro Santos Pereira, veio a público - aliás, ao Facebook - colocar a saída do ministro da Economia sob suspeita. Escreve ele que a remodelação resulta de "interesses" e "negociatas". Espera-se que venha a concretizar as acusações e não seja tão... económico nas palavras. Já agora, vale a pena ler o seu blogue Portugal dos Pequeninos (http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/), onde também já tinha criticado o Presidente da República por manter tudo na mesma. Ou os textos em que escrevia que Miguel Relvas era o "pequeno Torquemada de Passos Coelho". Isto, antes de ser assessor de Miguel Relvas. Já merecia escrever um livro de memórias...
B - de Bebé Real
Não se confirma que Passos Coelho tenha esperado pelo nascimento do filho de William e Kate de Inglaterra para apresentar a remodelação governamental ao País. O "bebé real" ofusca qualquer mudança em Portugal?
C - de Cavaco
Critiquei, como muitos outros, o discurso de 10 de julho de Cavaco Silva, sobretudo pela ideia de um governo a prazo com ‘eleições-antecipadas-mas-só-para-o-ano-quem-vem'. Tenho de reconhecer, porém, que o Presidente da República conseguiu um feito ao forçar PSD e CDS a sentarem-se à mesa com o PS - e vice-versa. Mesmo sem acordo. Foi o regresso da política, iniciado a partir de Belém.
E - de Escutas
As escutas ilegais no Largo do Rato abrem um novo capítulo na história política em Portugal. Depois do caso das escutas a Belém e de se saber que os membros do Governo só falam sobre assuntos importantes por gmail, percebe-se agora através do CM que o maior partido da oposição também anda sob escuta. Quem estaria interessado nas conversas de António José Seguro? Nos crimes, o melhor é ir atrás do motivo: quem quer apear Seguro de líder? Ah, pois é...
F - de Francisco Almeida Leite
O jornalista lembrou o País que existe uma secretaria de Estado da Cooperação e dos Negócios Estrangeiros, depois de quase dois anos em que o Palácio das Necessidades quase se resumiu a Paulo Portas. Falta saber se o protagonismo lhe pode ser prejudicial, com um novo ministro que é um peixe das águas profundas que raramente gosta de emergir.
G - de George
O "bebé real" não se chama George Michael como o cantor, mas quase. Jorge Alexandre Luís, o nome em português, não parece tão majestático como na versão original, como alguns comentam nas redes sociais, mas o futuro da monarquia britânica parece assegurado. Ao contrário da república em que vamos sobrevivendo.
H - de Humano
O BE confundiu Peñafiel, em Espanha, com Penafiel, em Portugal, num cartaz de candidatura autárquica à região. "Errar é humano", disse ao CM fonte oficial da liderança bicéfala do Bloco. É verdade que assim é, mas como alguém escrevia nas redes sociais, o erro humano pode pôr em dúvida como seria o tal "governo patriótico de esquerda" proposto por João Semedo e Catarina Martins.
L - de Lisboa
Ao contrário do Porto, onde Luís Filipe Menezes entrou em campanha eleitoral ainda antes de se saber quem era o seu substituto em Gaia, em Lisboa só se vê António Costa, que não perde uma vernissage e até apresenta livros de cozinha. Convinha que Fernando Seara, ou alguém por ele, começasse a lembrar os lisboetas que não é só o PS que concorre nas próximas autárquicas à esburacada capital. Que se lixem as eleições?
P - de Passos Coelho
O primeiro-ministro está de parabéns. Não tanto pela remodelação, mas por ter feito anos ontem. Curiosamente, no mesmo dia de Jorge Jesus. Espera-se que a coincidência termine por aqui: não convém que a nova estratégia do Governo acabe derrotada nos descontos, como a do Benfica este ano.
R - de Rui Machete
À imagem de Jaime Gama, é um peixe de águas profundas. A sua entrada como ministro lembra os tempos em que se disse que Álvaro Barreto foi imposto por Jorge Sampaio a Santana Lopes para que o Governo ganhasse alguma credibilidade de cabelos brancos. É próximo de Cavaco Silva mas não começa bem o seu mandato, ao entrar em teorias da conspiração sobre as notícias do seu passado no BPN. Não sr. Ministro, as notícias não são "sensacionalistas" nem um sinal de "podridão". São notícias. Habitue-se.
S - de Santos Pereira
O ex-ministro da Economia prova que, neste governo, são os santos de fora - os independentes que não são da casa - que não fazem milagres. Não sai em desgraça como Vítor Gaspar, até porque não bateu com a porta. Saiu de mansinho, até ver. Critiquei algumas vezes Álvaro Santos Pereira, mas, para além de achar de péssimo gosto bater em quem cai, dele fica a imagem de alguém que não vinha dos "negócios" nem deve ir para eles. Um académico com obra poucas vezes vence na política, mas fica pelo menos a ideia de que se tratava de um homem sério, ao contrário dos seus antecessores, a começar pelo célebre ministro dos corninhos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.