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A poucas horas do jogo decisivo com a Rússia, não custa adivinhar o ambiente que se vive na Selecção que representa Portugal. Sussurros passados entre os membros de cada tribo que, sob um comando comum, se dispunham a conquistar a taça de Campeão da Europa. Mas se a Selecção representa Portugal, por que havíamos nós de exigir o virtuosismo de algumas excepções da vida nacional e não a maioritária regra das invejas paralisantes, dos jogos mesquinhos, cultura de eucalipto, da incapacidade de organização.

Por que razão havia Figo de achar natural que a sua geração vai chegando ao fim e que ele mesmo pode beneficiar com a energia transbordante de Deco. Por que haveria Rui Costa de reagir com um pouco mais de calma quando confontado com um facto: a equipa jogou melhor na segunda, do que na primeira parte jogo com a Grécia. Sim, por que haveria um jogador português de reagir como o fez por exemplo o extraordinário Fernando Torres quando a Imprensa espanhola o confrontou com a eventual titularidade em detrimento de Raúl. Torres disse apenas que Raúl é o melhor, insubstituível.

A forma como tem sido gerida a comunicação da selecção nacional lembra aqueles congressos partidários em que tudo corre muito bem para o líder até à desgraça das eleições seguintes. Assim tem sido também na Selecção. Perguntas vetadas, agressividade extrema e uma classe de jornalistas que de uma vez por todas terá de compreender o seu papel. O público não perdoará branqueamentos sucessivos. A forma reverencial com que os escribas reagem confrontados com um qualquer Diácono Remédios da comunicação desportiva só apodrece ainda mais a água estagnada onde voga a nau do sargentão.

E assim quando as várias tribos de cumplicidades várias vestirem o equipamento comum e entrarem no grandioso Estádio da Luz, convinha que alguém lhes tivesse já dito que têm de ser unidos por cada acorde do hino. Que têm de disputar cada bola como se fosse a última. Que têm de adivinhar e suprir a fraqueza do colega. Depois, se por golpe do destino as coisas saírem bem, por favor, senhores jogadores, não embandeirem em arco, lembrem-se da vergonha que foi aquele treino após os 4-0 à Polónia, no Mundial – não pretendam ajustar contas, seja com Madaíl e com o Fisco, seja com a Imprensa livre e independente. Esta é a vossa bandeira, lembram-se?

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