1.Já se tinha percebido que Camacho não abdicava de ser o comandante-em-chefe do futebol do Benfica. Caso contrário, não teria regressado a Lisboa e à Luz. Agora fica claro, em razão das suas mais recentes declarações, que não tem nenhum problema em trabalhar com um director desportivo... desde que seja ele, Camacho, a mandar. Quando as coisas não são ao seu jeito, prefere ficar de fora. Aconteceu no Real Madrid e veremos se não acontece, de novo, no Benfica.
2.Não há tempo na Luz para reconstruir uma equipa? Tem de haver. É Camacho quem marca esse(s) tempo(s). Pelo menos julga ser. Porque a massa associativa dos encarnados, na ausência de resultados, funcionará como tribunal de última instância, sem possibilidade de recurso.
3.Camacho pode estar convicto de que está a dar o seu melhor em prol do Benfica, mas sabe que todos os treinadores – e ele não é excepção – vivem de resultados.
4.Se se exigia a Fernando Santos o título máximo e uma boa campanha europeia, o mesmo tem de se exigir a Camacho, sobretudo em clima de forte investimento.
5.Não era preciso Domingos Soares de Oliveira (DSO), administrador da SAD, vir dizer que, em matéria de reforços, “Camacho é rei e senhor”. Já o tínhamos percebido.
6.Curiosa a asserção do técnico do Benfica quando afirma que “não sou um treinador normal”. Percebe-se: ele quer dizer que não é do tipo de engolir e calar.
7.Vistas bem as coisas, Camacho ainda não conseguiu reunir as melhores soluções do plantel no onze titular: não tem sido possível juntar Luisão, David Luiz e Petit a Rui Costa, Quim, Rodriguez, Nuno Gomes e Di María.
8.O Benfica, neste momento, resume-se a Quim, Katsouranis, Rui Costa e Cristian Rodriguez. É pouco. Parece que vai ter um Soldado.
9.Cardozo é um caso à parte. Está a adaptar-se com dificuldade. Logo que chegou percebeu-se a qualidade do seu pé esquerdo. Custou cerca de 10 milhões de euros e, mesmo com a atenuante do cansaço (não teve descanso suficiente), revela pouca mobilidade e fraco jogo de cabeça.
10.O Benfica chegará à conclusão de que se enganou ou de que foi enganado?
11.Apesar das repetidas promessas do paraguaio, no sentido de marcar muitos golos, a verdade é que Camacho não anda nada satisfeito.
12.Quer reduzir o plantel e melhorá-lo ao mesmo tempo. Normal.
13.Andrés Díaz, Fábio Coentrão, Dabao, Zoro, Butt, Nuno Assis, Adu e Miguelito têm feito muito pouco na Luz.
14.A mais nenhum treinador, a não ser a Camacho, é dada a oportunidade de ir ao mercado contratar novos jogadores, depois das aquisições feitas no começo desta temporada.
15.Não é normal que se chegue a Setembro/Outubro com a convicção de que o muito remodelado plantel – o melhor dos últimos dez anos, segundo o presidente – é insuficiente.
16. O balão Camacho aumenta de volume, transporta com ele Filipe Vieira e Rui Costa, a própria SAD (DSO), mas, nas circunstâncias em que sobe, corre o risco de rebentar.
17.Camacho, pragmático como é, não alimenta cenários hipotéticos: Rui Costa é para jogar. Tem de estar concentrado na importante missão que desenvolve em campo. O presidente tem de ser responsável pelo que afirma.
18.O treinador não quer nomes. Quer jogadores que rendam.
19.É a consciência de que o Benfica, não podendo querer contratar quem quer, precisa de ganhar maior responsabilidade no momento das aquisições. Não pode ser de outra maneira.
20.Camacho diz ainda que em Portugal devia ser proibido falar de árbitros. É proibido proibir. Mas concordo que todos, a começar pelos dirigentes, treinadores e jogadores, deveriam poupar-se a esse trabalho. É uma forma, muito portuguesa, de sacudir a água do capote. Uma técnica muito presidencial. Quando os protagonistas do futebol deixarem de o fazer e os árbitros assumirem um papel também mais discreto não será a Comunicação Social a contrariar esse desiderato. É um problema de mentalidade que não se muda só porque Camacho tem uma visão certa sobre o assunto.
NOTA – O regresso ao passado no PSD não é uma garantia de futuro.
NOTA 1 – A partir de Novembro, José Sócrates vai divertir-se imenso com Santana Lopes no Parlamento. E nós também.
NOTA 2 – Meneses diz que Santana foi o único que se posicionou para liderar a bancada parlamentar do PSD. É, de facto, um problema de posição.
NOTA 3 – Está tudo Tratado: só falta o dinheiro (aos portugueses).
NOTA 4 – O denominador comum entre a Casa Pia e o Apito Dourado: continuam, indecentemente, os abusos.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.