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. Sobre tais instituições e sobre as pessoas que nelas se refugiam ou delas se servem abatem-se as interrogações mais diversas, a menos importante das quais está longe de ser a que se relaciona com os motivos que sustentam a falta de transparência que as envolve. Que desígnios inconfessáveis são esses? Que há para esconder?

Restam cada vez menos dúvidas sobre o tráfico de influências e as cumplicidades que a Maçonaria abriga. À sombra de rituais, cujo ridículo o tempo reforça, desenvolvem-se jogos de poder em que interesses particulares e de grupos se permutam e articulam, contribuindo para que a sociedade se torne menos igual e menos justa. Como esta semana se viu, o silêncio ou o engasganço embaraçoso são o refúgio de um maçon quando a curiosidade leva alguém a questioná-lo. É possível confiar em políticos que recusam o jogo da verdade, apesar de eleitos pelo povo?

Há opções que deveriam ser de declaração obrigatória. A transparência assim o exige, em detrimento da hipocrisia que infesta o discurso político. Em vez de o centrista João Almeida sugerir o boicote às compras no Pingo Doce, gostaria de o ter visto pugnar pela clarificação das dependências e ligações dos deputados e, por arrastamento, de governantes, juízes, jornalistas, gestores, espiões, etc.

Não embarco em juízos moralistas e não subscrevo as críticas a Alexandre Soares dos Santos (que não conheço de lado nenhum e a quem não devo nada) por transferir para a Holanda a holding pessoal que controla a Jerónimo Martins.

É legítimo a qualquer empreendedor procurar estabilidade fiscal para as suas empresas e tentar proteger os seus investimentos. A Holanda dá-lhe o que Portugal nem por sombras lhe garante, a começar por financiamentos em condições vantajosas. Quem, beneficiando de crédito com juros mais de 50 por cento abaixo do que por cá se consegue (quando se consegue), hesitaria em fazer o mesmo que Soares dos Santos? Perante a carga fiscal que estrangula o País e a asfixia de crédito que definha a economia, torna-se perverso apontar o dedo a quem defende as suas empresas e as procura expandir, criando riqueza e postos de trabalho. O mundo anda de pernas para o ar.

Prefiro a frontalidade e a capacidade de arriscar de Soares dos Santos à opacidade das lojas maçónicas e às manobras e conluios que favorecem. Um, diga-se o que disser, contribui para ajudar Portugal. As outras mais não fazem do que acelerar o seu definhamento: económico, político, cultural e moral. Só não vê quem não quer.

SOLTAS

DINOSSAURO SINDICAL

n Carvalho da Silva, que dirigiu a CGTP durante 25 anos, está quase a sair de cena. Imagem de marca do sindicalismo nacional, não conseguiu dissociar a organização do PCP, mas até os críticos reconhecem que foi mestre a gerir as tendências internas. Aguarda-se o nome do próximo líder "independente"...

RICOS CLUBES

n Danilo é a estrela maior da constelação de atletas que a reabertura do mercado de transferências traz a Portugal. Impressiona a roda-viva de nomes apontados aos clubes. Parece que o futebol é uma realidade diferente da do País, com dinheiro a rodos e sem fumo de crise. Ainda ninguém percebeu que o rei vai nu?

FIGURAS IMORTAIS

n Alexandre Dumas e Ezra Pound, René Descartes e Françoise Sagan, Gustave Courbet e Georges Clemenceau são alguns dos vultos radiografados por Michel Ragon em ‘Eles se acreditavam ilustres e imortais...' O crepúsculo de gente com dimensão universal observado com verdade, humor e sentido de tragédia.

NOTAS (DE 0 A 20)

10 - ÁLVARO SANTOS PEREIRA

O lançamento de uma linha de crédito de 1,5 mil milhões para apoiar as PME é uma boa notícia para a economia. Mesmo assim, é curto para tanta necessidade...

8 - LUÍS MONTENEGRO

Deplorável o comportamento perante a questão da Maçonaria. Não sendo crime a condição de maçon, não se percebe tanto embaraço e falta de transparência.

8 - CARLOS ZORRINHO

Em palpos de aranha para controlar o grupo parlamentar do PS. Não tem mãos nos seus deputados. O caso do Orçamento do Estado só prova o desconcerto.

7 - JOSÉ MIGUEL JÚDICE

O escritório do antigo bastonário foi condenado a pagar mais de dois milhões de indemnização a um cliente. Pena pesada para atraso na entrega de um recurso.

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