Dois emissários do general Spínola dirigiram-se ao quartel do Carmo e pediram a Salgueiro Maia para falar com Marcelo Caetano que estava cercado lá dentro.
– “Para isso têm que pedir autorização ao PC!” respondeu-lhes o capitão de Abril na sua linguagem de caserna.
Pedro Feytor Pinto, um desses emissários, não escondeu o espanto e murmurou:
– “Já?!?”
Só quando o mandaram para o quartel da Pontinha Feytor Pinto percebeu que PC naquelas circunstâncias não significava ainda Partido Comunista mas Posto de Comando.
Esta cena fala por si. A sigla PC era um símbolo forte na resistência e quanto mais a luta aqueceu na revolução mais o PCP cresceu. Falar de PC era referir um partido de Poder. Até que chegou o 25 de Novembro e o martelo foi-se.
Depois foi o que se sabe. Vieram outras revoluções, nomeadamente a revolução informática, e a sigla PC passou a significar Personal Computer. Vale a pena lembrar isto no dia em que o Partido Comunista faz um congresso para substituir Carlos Carvalhas por Jerónimo de Sousa. Confesso que esperava uma surpresa. Admiti que o PCP escolhesse para líder uma mulher. Mudasse de sexo, já que não pode mudar de ideologia. Mas enganei-me. O PC escolheu um operário metalúrgico. Afinador de máquinas, diz o currículo de Jerónimo. Veremos se o seu software resolve os graves problemas deste hardware que se chama PC. Partido de Cunhal.
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Por Carlos Rodrigues
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