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Urge, cada vez mais, ficarmos em primeiro lugar do grupo (dou de barato que ganharemos o jogo de hoje, ao Irão). Ficar em primeiro lugar no grupo D, o nosso, é vital. Em toda essa estratégia, o ‘desobjectivo’ – digo assim porque do que se trata é ‘não encontrar’ – é a Argentina. Nos oitavos-de-final, o primeiro do nosso grupo safa-se da Argentina. O que é uma bênção.

A Argentina tem um guarda-redes cujo nome é como um menu de restaurante das pampas, onde os bifes do lombo têm meio quilo. Ele chama-se Abbondanzieri. E, de facto, aquela equipa é muito bem aviada: ele é Sorín, ele é Riquelme, Crespo, Saviola... Não é só quantidade, isso têm os restaurantes americanos, ‘Tex-Mex’, com costeletas de novilho imensas e sabe-se o que serve a selecção dos States. A Argentina é alta-cozinha. O ‘maître’ José Pekerman (quem não é ‘maître’ com aqueles produtos?), já com os comensais de Gelsenkirchen saciados como ninguém ainda o fora neste Mundial, fez entrar Messi e Tevez... No fim, seis pratos, mas chora-se por mais.

Dessa Argentina – afinal, estamos numa prova desportiva, comer bem, é mau – há que fugir. Como já fugimos, foi a boa notícia do dia de ontem, da Costa do Marfim. No jogo da semana passada, Argentina-Costa do Marfim, Maradona foi fotografado na bancada. Tinha os olhos injectados e logo más línguas puseram a circular que aquilo era porque havia Drogba na erva. Mas não, viu-se ontem, é toda a equipa africana que é alucinogénea. Então, quando estão em estado de carência – e quem não está quando falta um quarto para a glória e esta nos foge? – eles não deixam correr o marfim. Correm eles, Keita e Akalé, Touré e Boka, nomes curtos para pernas longas e um talento ainda maior.

A Costa do Marfim, por uma dessas injustiças que é o encanto do futebol, perdia por 2--1, e o seu defesa Eboué estava a ser assistido ao lado da baliza adversária. Tinha uma luxação no ombro e dores horríveis. Era assistido pelo médico e massagista da equipa. Entretanto, marcou-se canto contra a Holanda, a bola foi para Drogba, que rematou. A bola bateu no chão e enganou dois holandeses, o guarda-redes Van der Sar estava batido e, sobre a linha de golo, um defesa salvou. A três metros dali, dois profissionais de Saúde puseram-se aos saltos, nas tintas para o pobre Eboué. Foi a mais linda não-assistência a pessoa em perigo que eu já vi na vida.

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