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As práticas de pigmentação também tinham, na origem, função decorativa, mas com um significado relacionado com a estrutura tribal, a hierarquia social, a paz ou a guerra. Se levadas a extremos de deformação (o osso a atravessar as narinas, as argolas sobrepostas no pescoço, a extensão desmesurada do lábio inferior) eram consideradas padrões típicos de grupos aborígenes ainda em estado selvagem.

Ora, o "piercing", tal como o conhecemos hoje, parece querer, sobretudo, assinalar a diferença, acentuar a personalidade, a originalidade ou a rebeldia --exigências ligadas sobretudo à adolescência. Homens e mulheres usam esses apêndices nas mais diversas zonas do corpo, na língua, nos mamilos, nos genitais. Na Primavera realizou-se mesmo, em Vila Nova de Gaia, uma reunião de adeptos do "piercing" e da tatuagem, a que foi pomposamente dado o nome de Primeira Convenção Internacional, com o propósito de "educar o país para esta cultura".

O "piercing", neste século e nesta civilização, é um anacronismo como qualquer outro. Com a diferença de, para além de comportar riscos higio-sanitários, torna os seus adeptos quase irreconhecíveis, exóticos e, provavelmente, objecto de alguma discriminação indesejável e muitas vezes imerecida. Sugiro, portanto, que deixem esta prática para os políticos que pretendem afirmar a sua personalidade a todo o custo. Um destes mini-adereços decorativos bastaria, por exemplo para distingir os reformadores do PCP dos comunistas ortodoxos. Outros serviriam para destacar as diversas sensibilidades de cada um dos numerosos vice-presidentes da bancada socialista. E Durão Barroso sentir-se-ia muito mais à-vontade se os sociais-democratas que o não apoiam usassem um "piercing" identificador. Não precisaria assim de ler tudo quanto escrevem (ou todas as declarações que fazem em entrevistas) para saber com quem conta e com quem não pode contar.

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