Apesar dos excelentes cultores da linha tradicional do relato objectivo – que tem em Ribeiro Cristóvão o seu expoente máximo –, um relato do Perestrelo tinha um colorido que o tornava imperdível.
Desassombrado, chocante. Trapezista sem rede. Perestrelo era único exactamente porque mandava a objectividade ‘às malvas’ e as boas maneiras ‘à merda’. O relvado nunca foi rectangular. Na narração do Perestrelo o campo de jogo teve sempre a forma da emoção sentida pelo artista.
Acima de tudo Perestrelo era um grande poeta popular tendo no futebol o seu tema único. É isso que dele fica: a poesia concreta improvisada em cada lance. Cada grande falhanço. Golo.
Por ser único, Perestrelo deixa um vazio no éter (o outro cultor português do relato emocial chama-se José Carlos Soares e continua amordaçado).
Homem incómodo, só depois da morte Perestrelo vê multiplicarem-se os amigos e o País virar unânime seu admirador.
P.S. – O Bloco de Esquerda engordou. Já há muito dinheiro público para gerir, câmaras para conquistar, alianças para negociar. Trotsky e Estaline voltam a digladiar-se pelo poder. Oitenta anos depois. Em Lisboa.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.