Não é da minha conta, nem da de ninguém, se Deco é casado, se tem filhos e se a esposa Jaciara está grávida ou não. Muito menos se o episódio relatado por aquele jornal vai ter consequências no casamento e na vida do casal. Não me interessa para nada.
O que interessa nesta história não são os detalhes da ‘sessão de sexo’, mas o que isso implica em termos da conduta de um jogador da Selecção Nacional e, em função disso, da afectação da imagem da FPF e do País.
A notícia, que eu saiba, foi publicada em dois jornais: CM e 24 Horas. Os jornais desportivos, mais uma vez, entenderam que, editorialmente, a notícia não era relevante. Num Mundo em permanente mutação, talvez já possa ser considerado como um facto absolutamente normal e banal um internacional de futebol, dos mais conceituados e mais bem pagos do universo da bola, apanhar um táxi e disparar em direcção de uma ‘casa de alterne’, poucas horas depois do fim de um jogo – e isso não colha qualquer tipo de significado entre os média portugueses.
O ‘bacanal de Saltillo’ também não teve qualquer repercussão e, passados mais de 20 anos, as reminiscências perduram na Selecção Nacional. Neste caso, nas suas imediações.
Para além de ter sido estranho ninguém ter procurado apurar o que efectivamente se passou e não se terem feito perguntas (Gilberto Madaíl agradeceu a cobertura feita pelos média portugueses no Mundial do Japão/Coreia, lembram-se?), o que interessa apurar é o seguinte:
1. Como é que um jogador escassos momentos após a realização de um jogo internacional, ainda que particular, fica fora da alçada da Selecção Nacional, antes de regressar ao seu clube, o Barcelona?
2. Por que razão, desta feita, Scolari – tão legitimamente perturbado com o comportamento de outros jogadores, entretanto afastados da Selecção Nacional – não tomou qualquer tipo de posição?
3. Por que motivo a Direcção da FPF não instaurou imediatamente um inquérito para apurar a veracidade da notícia publicada, com todos os detalhes, no ‘News of the World’?
4. Por que raio de ‘interesse particular’ Deco e/ou os seus representantes não contestaram a notícia e, mais do que isso, não processaram o jornal inglês?
Já sabemos que, em situações similares, quando sai uma notícia perturbante, o mecanismo típico não é tentar apurar – em função de uma cultura de verdade e exigência – se os factos são verdadeiros e instaurar inquéritos, se for caso disso; é procurar saber, à boa maneira pidesca (os restos do salazarismo...), quem forneceu a informação e tentar calar ou branquear, custe o que custar, o(s) respectivo(s) escândalo(s). Noutro âmbito, o ‘Apito Dourado’ nunca seria notícia se não tivéssemos uma parte da Imprensa que ainda é livre em Portugal!
Madail prestou declarações (ao ‘24 Horas’) para dizer que quer falar com Deco, caso se confirme o envolvimento com a prostituta. E sentenciou: ‘Vou ter de chamar o jogador à atenção’. Ridículo! Falar de quê?
Imaginemos (diálogo ficcionado com base nas informações publicadas no ‘News of the World’, porventura a única parte da história que é pura ficção):
GM - Então, pá, quantas eram?
D - Eram quatro mas escolhi a melhor.
GM - Era uma loura do Leste, não era?
D - Pôs-me a Leste, pois foi.
GM - Foste de táxi?!
D - Se conduzires, não bebas!
GM - Bebeste assim tantas cervejas?
D - Era o ‘Happy Hour’.
GM - Levaste muitos amigos...
D - O espírito de grupo da Selecção está sempre presente.
GM - E a parte oral?
D - É mentira. Nunca chumbei na escrita... É outra mentira: não escrevo com os pés.
GM - Dizem que agiram como animais...
D - Esses gajos são uns macacos...
GM - Olha, se te perguntarem alguma coisa, dizes que falei contigo. Está bem?
D - Tá bem, doutor. Não se preocupe.
Moral da história: perante todo o tipo de ‘bacanais’, a FPF ajoelha-se.
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Por Carlos Rodrigues
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