Durante a semana que findou, por cima do folclore político, das dramatizações eleitorais, dos apocalipses anunciadores do fim da Pátria, decorreu um outro debate, esse sim, muito sério, levantado por uma associação de especialistas dos problemas do sono. Fui acompanhando como tive possibilidades a discussão em torno do tema para ficar surpreendido com algumas afirmações e conclusões que, talvez por viverem tão junto de nós, nunca as visitamos com o cuidado que merecem. Desde logo, porque vinte por cento das mortes nas estradas são atribuídas ao sono dos condutores. Por vezes, apenas alguns segundos de sonolência e, de imediato, a morte em vez de um despertar.
É certo que temos assistido ao longo da última década ao recuo da morte nas estradas portuguesas. No entanto, ainda em números que representam cinco vezes mais mortos em relação àqueles que são vítimas de morte violenta por homicídio. E o sono, que o álcool potencia, aí está como uma das razões essenciais da tragédia. Percebi, também, que oriundos de culturas ancestrais agrárias onde ‘deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer’ impondo o descanso e o sono, assim como o trabalho, ao ritmo dos dias, a complexização decorrente da revolução industrial, das rápidas concentrações urbanas, da alteração de paradigmas no trabalho e na produção que acelerou os ritmos produtivos, que alterou as horas do lazer, com o trabalho nocturno, colocou um anátema cultural sobre o sono. Preguiça é sinónimo de dorminhoco, ou, dito de outra maneira, estar a dormir significa estar desatento ou não produzir.
Este tipo de conceitos, associados à indiferença perante os problemas do sono, visto como um pecado maldito, potenciou o aumento de doenças do foro psicológico, neurológico e psiquiátrico que excedem largamente o nosso conhecimento comum sobre quem sofre de perturbações do sono. De certa forma, são doentes marginalizados. De quem se desconfia, vulgarmente remetidos para o mundo dos malandros e preguiçosos.
Fez bem esta associação em lançar esta campanha nesta altura para nos alertar para a íntima relação entre a insónia e a morte. E seguir-lhe os conselhos vale a pena. Em vez de perdermos tempo a escutar maus profetas, senhores da desgraça, gritaria política sem substância nem significado, mais vale dormir e dormir bem. Defendemos a saúde e não nos aborrecemos com tanta barbaridade dita, gritada e mal representada.
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Por Carlos Rodrigues
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