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Mas mudaram-se os tempos, mudaram-se os costumes e a própria Igreja tende actualmente a insistir menos na prática dos rituais exteriores e a valorizar os exercícios de vivência interior, baseados essencialmente na convicção pessoal de cada um.

Por outro lado, importará lembrar que mesmo a data exacta da morte de Jesus Cristo não é uma matéria assente. Os textos bíblicos apenas nos dão a indicação de que a Paixão do Nazareno terá ocorrido por volta da Páscoa hebraica, ou seja, cerca do equinócio da Primavera.

Ora na Antiguidade romana o calendário era organizado de uma forma diferente do actual e ainda hoje o dia de Páscoa pode recair em datas diferentes, consoante se utilizem os critérios da confissão católica, da ortodoxa ou da judaica.

Certo é que a Sexta-feira Santa – antecedida pela Quinta-feira de Endoenças e seguida do Sábado de Aleluia e do Domingo da Ressurreição ou de Glória – se insere no processo comemorativo da Páscoa, a mais importante das festividades do calendário cristão.

E, sejamos crentes ou não, a Páscoa continua a servir de pretexto para festejos que, interpretando o início da Primavera como uma vitória da vida sobre a morte, incluem uma tradicional vertente gastronómica e outra não menos importante vertente consumista.

Mas o significado atribuído historicamente à celebração da Sexta-feira de trevas talvez nos possa ajudar a interiorizar a ideia de que nos tempos modernos subsistem outras exigências morais, que têm que ver com a paz no Mundo e com a solidariedade com esses nossos próximos que em linguagem cristã são os pobres.

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