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Deco, português de gema (como podia ter ele aprendido a renda de bilros de outra maneira?), fez um jogo como a sua equipa. A selecção portuguesa parece que se guarda sempre para a próxima. Pode ser uma coisa horrível se ficarmos pelo caminho: de que valeu apostar no amanhã? Mas quando ela vai de vitória em vitória é um gosto ver a bola pousar em Figo. Ver Costinha patrão. Ver o tal rendilhado de Deco, fazendo prosseguir uma bola para pés seguros quando já a pensávamos perdida. Então, é só uma questão de esperar. E é um prazer descobrirmos que não foi em vão.

O pé é um estado superior de cultura. Pisando a uva que dá vinho, enviando a bola para o canto esquerdo de Mirzapour. Para este, era o direito, mas, por favor, que saia de cena: quando Deco está presente, a referência é ele. Foi para a esquerda, no cantinho. A bola foi para ali para que todos pudéssemos passar ao estado seguinte. Não a equipa, que continuou na mesma. Saindo da defesa com passes de três metros (minutos antes, esse jeito levava-nos o coração à boca), confiando em Figo, que descobríamos (nós e os iranianos) ali, quando o pensávamos nos antípodas, fazendo correr a única gazela da Selecção, Miguel. A equipa continuava na mesma, exigindo que confiássemos. Minto, pedindo, porque já lhe íamos comer à mão. Sim, com o golo de Deco, nós, o resto de Portugal (dez milhões menos onze), passámos ao estado seguinte.

E o estado seguinte é o dos ditosos que, já tranquilitos, têm a oportunidade de ver Cristiano Ronaldo jogar. Provavelmente, ele só estava a jogar para o seu avô, que não o via há 15 anos. Não me importo de fazer de avô, de emigrante australiano, do que quiserem, até de canguru, logo que isso me permita ver Cristiano Ronaldo jogar. Há no Estádio de Frankfurt, quem vem do Oeste para Leste, um corredor à esquerda que se chama, desde ontem, pista Cristiano Ronaldo. Como há a ala Picasso, no Prado.

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