Com um resultado tão gordo, subitamente a equipa encarnada surgiu redimensionada e até Jesualdo Ferreira pareceu um poço de virtudes tácticas pela facilidade com que tapou as ausências de Simão e Petit. Como sempre, a verdade encontra-se entre a euforia e a depressão: entre o Benfica que ardeu nas Antas e o Benfica que atropelou o Paços de Ferreira, sobrevive uma equipa ainda à procura de uma voz e de um estilo próprios. Há inegavelmente uma sensação de fragilidade e uma pulsão irresistível que forçam o treinador benfiquista a fazer contas com o passado.
Mas também sobressai a vontade de alguns jogadores fintarem a crónica ausência de confiança que afecta o Estádio da Luz.
Num repente literário, Jesualdo poderia ter desabafado: “As notícias da minha morte foram manifestamente exageradas”. Talvez seja verdade; mas as mudanças que promoveu na equipa, designadamente a exclusão de Zahovic e Argel e a reformulação do centro da defesa (com Ricardo Rocha) e do meio-campo (Ednilson, Tiago e Andersson) demonstram que a pré-época foi um acto falhado e que faltou coragem ao treinador para gerir os egos no balneário. As últimas vitórias dão-lhe lastro suficiente para continuar a revolução; resta saber se tem força e se ainda vai a tempo. A impaciência de Luís Filipe “ansioso” Vieira é um péssimo augúrio.
No Boavista os problemas são diferentes. A equipa enterrou-se no 11.º lugar e a única boa notícia que João Loureiro pode ter esta época será a transferência do guarda-redes Ricardo. O resto é um enorme pântano, onde Jaime Pacheco pede calma aos gritos e a equipa não consegue acertar na baliza adversária. À 10.ª jornada, o Boavista é a equipa com menos golos marcados na SuperLiga (7) e revela um futebol a preto-e-branco. Ou seja, o contrário do V. Guimarães, que apesar de derrotado pelo Sporting demonstrou ter um dos ataques mais vibrantes do Campeonato (23 golos).
Jaime Pacheco construiu o Boavista a partir da segurança defensiva e da capacidade para asfixiar os opositores. Esse ciclo deu frutos mas já se esgotou. Inácio montou um V. Guimarães virado para o ataque e 2002/2003 promete ser o ano dele, mesmo que fique apenas em quarto lugar. Para já, juntou-se ao grupo da frente e é uma das equipas mais interessantes.
Menos empolgante, o FC Porto continua sem perder um único jogo e segue na liderança. Desta vez, beneficiou do precioso erro do árbitro que anulou um golo cristalino ao V. Setúbal. Também assim se faz um campeão.
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Por Carlos Rodrigues
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