O balanço da execução orçamental é um rotundo fracasso, uma definição perigosa de inimigos de classe do Governo mais o espanto atarantado perante a imperfeição da realidade e a proximidade do rastilho letal da crise.
A estratégia de Passos era de violência fiscal no consumo, determinação no corte da despesa motivação do povo para o caminho da salvação e reconhecimento do bom comportamento pelos deuses mercados e pela madrinha berlinense.
O IVA está em colapso mas o Governo contra-ataca viril os mecânicos e as cabeleireiras. As gorduras do Estado são fugidias e os consumos intermédios viscosos, mas a drástica contenção da obesidade salarial dos reformados e dos funcionários públicos permitiu uma noite de gloriosas loas aos plumitivos comentadores profissionais. O bom povo está deprimido mas tem direito a jornalistas que debitam a homília do bom caminho e nas férias na Caparica recebe o afago por preferir a pirraça sobre Relvas às arruaças de gregos e espanhóis. Estranhamente, os mercados continuam desatentos de tanto mérito, entretidos a derreter a Espanha após anos de excedente orçamental e uma dívida pública menor que a alemã.
A relaxação estival permite distrair do furacão iminente entre a confirmação do desastre fiscal no próximo pagamento trimestral do IVA, o afundamento das exportações com a crise do vizinho e o desagregar do euro até à próxima cimeira histórica entre declarações de um chauvinismo à anos 30.
Passos e Gaspar aguardam ansiosos a benevolência da troika, a quem vão ter de explicar que o consenso não pode assentar na suspensão do Estado de Direito e tentar chamar à dieta alvos mais difíceis que os funcionários e os idosos indefesos. Pelo meio disto, era bom que o Governo, para prevenir a derrapagem da paciência dos gordos do costume, mandasse calar o Adónis da elegância de rendimentos Borges e Mexia, sempre ávidos da sobriedade alheia e grávidos de mérito próprio.
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Por Carlos Rodrigues
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