Se parece polémico, deve ser Mel Gibson. Mas o tema de ‘Apocalypto’ é, em si mesmo, explosivo. Porque desapareceu a civilização maia, muito antes da invasão castelhana?
Quem conhece a admirável Riviera Maya, na península mexicana do Yucatan, e viajou por Belize, Guatemala, Honduras, ou El Salvador, sabe, pelo menos das ruínas assombrosas de Tullum, Coba, Palenque ou Uxmal, que os maias ocuparam o terço leste da Mesoamérica.
Dividido em mais de 20 cidades-estado, o seu império policrático conhecia o zero e a astronomia, a escrita simbólica e o comércio, a arquitectura cerimonial e os centros urbanos desenvolvidos, ou livros fundacionais e mitológicos, como o famoso Popol Vuh (que baptizou um dos grandes grupos ‘planantes’ do rock teutónico do século XX). Entre os séculos III e X da nossa era, a civilização maia teve diversos momentos de renascimento e crise.
Pode contestar-se o maniqueísmo Gibsoniano, entre os ‘bons selvagens’ (no filme, uma espécie de agricultores para-amazónicos), da floresta, e a teocracia nepótica, violenta e narco-dependente, das cidades e dos templos. Mas a verdade é que a lenda cor-de-rosa de uma pacífica utopia maia foi sendo desmentida pelas descobertas e pela discussão historiográfica.
O especialista mexicano Carlos Navarrete é um dos elos dessa cadeia, que começou empíricamente com os exploradores John Lloyd Stephens e Frederick Catherwood, e que deveu antes, a Diego de Landa, a digressão sobre a cultura, e depois, com Alfred Maudslay, a sistematização dos monumentos.
A guerra intestina, incontrolada e em larga escala, a destruição da floresta tropical, a seca e a fome, a sobrepovoação, e os erros estratégicos de vários soberanos, terão arrastado milhões para a morte. Mas pode ainda imaginar-se, com ou sem Gibson, a família maia ‘típica’, levantando-se cedo, tomando chocolate quente, ou o atole de cereal, comendo tacos e tamales, esperando a cerimónia. E podemos visualizar os vencidos de um jogo, atados a uma bola gigante, e lançados do topo de uma pirâmide.
E podemos raciocinar sobre a estética: olhos estrábicos e cabeças afuniladas (como a espiga de milho) eram, então, a beleza em estado puro.
Para a semana, Bush anuncia os planos da pólvora. Com o general William Fallon, especialista de operações ofensivas, como fresco chefe do Comando Central, David Petraeus, autor do novo manual contra-insurreição (insistindo na ‘compreensão’ da revolta), como comandante do teatro iraquiano, e Ryan Crocker, o sofisticado ex-representante em Islamabad, na embaixada em Bagdad, os sinais são contraditórios: cenoura e pau.
Arsenais achados em Amorebieta e Atxondo, na Biscaia. Um comando de etarras ‘legais’ (sem cadastro), chefiado por Asiar Larrinaga, à solta. Na retaguarda, Aska-tasuna e Batasuna continuam a política do cinismo. Mas há limites, mesmo para Zapatero.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Não parecendo uma pessoa extrovertida, o Papa Leão XIV transmite algo de ternurento e carinhoso.