Em tempo de crise, a confiança imprimida pela liderança é decisiva para mobilizar um povo angustiado. Passos chegou ao poder pela pior via. Com aura de bom rapaz algo imaturo é a estreia de um Primeiro-ministro sem qualquer anterior experiência executiva. Após longos anos de vida de jotinha, licenciatura tardia em escola pouco qualificada e vaga experiência profissional na sombra de velhos barões laranja, conquistou em segundas núpcias um PSD que se comporta como um clube com sócios desesperados por vitórias, mudando de líder com mais facilidade do que o Sporting muda de treinador. Marcelo, Mendes, Santana, Manuela e Menezes formam uma incomparável galeria de estrelas cadentes trituradas pela sede falhada de poder.
O PSD é uma máquina de poder sem alma que na Europa tentou ser socialista, foi liberal por recurso e democrata-cristão por conveniência, mas que essencialmente acha natural mandar ‘custe o que custar'. Às cavalitas de Relvas, empurrado pelos autarcas e pelas distritais, o improvável Passos destroçou a aristocracia que apoiava Rangel, surfou na reeleição de Cavaco e à boleia da crise arrasou o gerador de radicais ódios e paixões Sócrates. Rapidamente se percebeu a dimensão da impreparação e como, consoante o tema fosse fé na austeridade ou cambalacho doméstico, quem verdadeiramente conta é Gaspar ou Relvas. A obsessão messiânica pelo martírio de uma recessão e desemprego muito para além da cartilha da troika prova que a religião do eletrochoque sobrevive com Gaspar enquanto a economia real morre.
Ninguém disse a Passos que esta receita até hoje só resultou nos livros ou em ditadura, sempre com violenta desvalorização incompatível com o euro. As nomeações, a suave mentira sobre o milagre e a paz nas tropas estão nas mãos de Relvas. O desastre dos temas Lusoponte, Jerónimo Martins e EDP é a prova de que o Governo que se esconde por trás da troika é um tubarão que devora pensionistas, funcionários públicos e idosos à beira da indigência, mas é um tigre de papel quando se trata dos ex-ministros do PSD tornados gestores, como Ferreira do Amaral, António Mexia, Mira Amaral ou Eduardo Catroga.
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Por Carlos Rodrigues
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