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Parto para Fortaleza, capital do Estado brasileiro do Ceará, onde pretendo fixar residência e de lá visitar com frequência Portugal, para reavivar contactos e rever amigos neste país ao qual tantos laços me aproximam, o último dos quais a dupla nacionalidade. É pois, oportuno fazer algumas considerações sobre o Ceará e Portugal.

A capitania hereditária do Ceará foi atribuída por D. João III a António Cardoso de Barros, que não assumiu seu lugar. Só em 1603, Pero Coelho de Sousa obteve de Diogo de Botelho, então Governador Geral do Brasil, a patente de Capitão-Mor com a finalidade de colonizar a Capitania do Ceará. Nova acção colonizadora chega ao Ceará em 1612, chefiada pelo capitão Soares Moreno. Desembarcou na Barra do Ceará, onde já sabia existir uma fortificação, resultante da expedição de Pero Coelho de Sousa, da qual o capitão também fizera parte. Construiu o Forte de São Sebastião aproveitando as ruínas de São Tiago, que fora erguido por Pero Coelho, e também uma capelinha ao lado a qual chamou de Nossa Senhora de Amparo. Foi o primeiro núcleo da civilização cearense. O capitão era constantemente chamado para combater ora os franceses que invadiam o Maranhão, ora os holandeses que ocupavam Pemambuco e de uma dessas viagens não voltou. Em 1637, teve início o domínio holandês na área do Ceará. Sete anos depois, acossados pelos silvícolas, os holandeses foram derrotados e saíram, para retomarem em 1649, sob a chefia de Matias Beck que fundou o forte Schoonenborch. Mas em 1654 ruía de todo o império holandês no Brasil e, sobre as ruínas do forte Schoonenborch, os portugueses erigiram a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, em volta da qual nasceu a nossa Fortaleza de hoje, uma bela cidade de 2,3 milhões de habitantes, a quinta maior do Brasil.

A população do Ceará é de origem em grande parte portuguesa, embora este Estado não tenha sido um grande centro de atracção de imigrantes na segunda metade do século XIX, quando vários milhões de portugueses cruzaram o Oceano, com armas e bagagens, em busca de se instalarem e trabalharem em cidades brasileiras como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Porto Alegre, Recife e outras. Mas em qualquer lista de cem pessoas, de escolas, de fábricas, de Universidades ou de clubes, os nomes de família da gente cearense são maciçamente portugueses.

Graças a Déborah Barros Leal Farias, disponho dos mais recentes dados sobre o comércio e investimentos recíprocos entre Portugal e o Ceará. Uma Assessoria Internacional do Governo do Ceará – à frente da qual se acha, como Governador, um político de mentalidade luso-brasileira, o dr. Lúcio Alcântara– aprofunda estudos sobre os laços comerciais, industriais, empresariais, culturais e sociais com a pátria mãe. A balança comercial entre o Ceará e Portugal é historicamente favorável ao Ceará. No início dos anos 1990, Portugal era o segundo maior destino das exportações cearenses, que alcançavam um valor de 30 milhões de euros, enquanto, em 2001, o valor total das exportações cearenses para Portugal mal ultrapassava os 12 milhões de euros.

Tem-se registado, entretanto, crescente volume de investimentos portugueses no Ceará, especialmente na área do turismo. O fluxo turístico cresceu, do que é testemunho a ligação aérea directa entre Lisboa e Fortaleza, a cargo da companhia de bandeira portuguesa TAP. Nos seis últimos anos, de 1996 a 2002, o número de turistas portugueses mais do que decuplicou, chegando no ano passado à cifra de 35 mil.

No campo do investimento estrangeiro directo no Ceará, além da presença portuguesa nas actividades ligadas ao turismo, registaram-se apostas em segmentos como indústria têxtil, agroindústria e produção de energia. Pelas negociações em curso, há prognósticos de incremento expressivo do investimento português no sector turístico e em actividades terciárias. A Câmara Brasil - Portugal do Ceará realiza inédito censo para identificar com precisão a presença de capitais de origem portuguesa no Estado a fim de melhor orientar o planeamento das entidades públicas e privadas do Ceará na atracção de novos investimentos portugueses na economia cearense, sempre bem-vindos.

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