Falamos do medo, agora reforçado com o anúncio do colossal assalto fiscal. Para a maioria dos portugueses, é sobretudo o medo do desemprego, da falência, da pobreza, entre outros medos nascidos da incerteza quanto ao futuro, que nunca foi tão grande e tão angustiante como agora. Já para o Governo, o medo é outro: o da fúria popular.
Num país tido como de brandos costumes, multiplicam-se perigosamente os sinais de tensão. Os protestos, que até há pouco se remoíam nos cantos, manifestam--se agora abertamente nas ruas, onde crescem em número e expressão, visando os membros do Governo e o próprio Presidente da República. Nem nas ocasiões mais solenes estes são poupados, como ficou provado na celebração do 5 de Outubro, que só não registou mais incidentes por ter mantido o povo à distância.
Vaiados e apupados como nunca, os representantes do poder fogem agora daqueles que os elegeram. É caso para dizer, citando Epicuro, que não se pode não ter medo quando se inspira o medo…
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.