Um dos mais recentes ‘desabafos’ do sumo pontífice incomodou, por exemplo, os bispos portugueses. Disse Francisco que todos eles (os de Portugal e os outros) devem evitar viagens, para poupar e para passar mais tempo com os rebanhos. Perante isto, os bispos assobiam para o ar. Fingem que não há podres a limpar na Igreja e unem-se ao coro dos beatos para os quais o novo papa só em aparência é diferente de Bento XVI.
Ora, como as aparências contam, convém lembrar que o papa que calçava Prada disparatou contra o preservativo enquanto o papa dos pobres mostra compreensão com a homossexualidade; Ratzinger era conservador e ambíguo em relação à pedofilia na Igreja enquanto Bergoglio quer debater o celibato dos sacerdotes e a ordenação de mulheres. Com as suas palavras, alimenta a esperança de uma Igreja nobre e virtuosa, coisa que há muito não se via espelhada no Vaticano. As diferenças dificilmente poderiam ser maiores. Se isso não garante mudanças palpáveis, o certo é que, com o papa Francisco, alguma coisa já mudou. Quanto mais não seja porque onde Ratzinger não iludia os céticos Bergoglio deixa-os na dúvida.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
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É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.