Os supermercados protegem-se cada vez mais dos criminosos que surripiam bens, enquanto fazem compras de pequeno valor.
Há câmaras de vídeo, vigilantes profissionais e dispositivos electrónicos colocados junto às saídas.
Mas no mundo da criminalidade, os ladrões dão sempre um passo à frente, à medida que a segurança aumenta.
No nosso país, há quem se tenha lembrado de comprar uma daquelas bolsas que os turistas colocam à cintura, normalmente designadas por "boom bag" ou "belt wallet". O ladrão forra o interior com folha de alumínio, do género da utilizada para embrulhar sandes.
Dirige-se ao supermercado e toca de colocar na bolsa uma boa quantidade de caixas de Gillette Mach 3. Como o receptáculo está protegido pelo alumínio, o alarme não é accionado à saída.
O negócio é rentável porque há sempre quem compre o material furtado, para depois o revender.
O mesmo se passa com perfumes, Game Boys, DVD ou whisky Jack Daniels, que facilmente encontram receptividade por parte de negociantes desonestos.
Portugal não é dos países mais atingidos por furtos em superfícies comerciais. No ano passado, o valor dos bens subtraídos foi de 21 euros por habitante, o que constituiu o montante mais baixo da Europa.
Noutras sociedades, em que a febre consumista é mais significativa, os números são muito superiores.
Em Hong Kong, ficou conhecido o caso de uma freira italiana que retirou sabonetes de um grande armazém de retalho. Foi apanhada, condenada a uma pena suspensa e expulsa do território onde vivia há mais de dez anos.
Naquela região administrativa, criou-se, entre as camadas juvenis, a convicção de que não é muito grave subtrair bens das lojas.
As autoridades decidiram colocar junto à entrada dos principais espaços comerciais a figura de um polícia em cartão, de tamanho natural, juntamente com um cartaz onde se esclarece que roubar em lojas significa praticar um crime: "shop-lifting is a crime". O objectivo era dissuadir aqueles que já entravam nas lojas com intenções criminosas.
O curioso é que um brincalhão decidiu roubar o polícia de cartão junto de uma loja e levá-lo para um bar irlandês. Foi um pagode.
Em Portugal, há comerciantes que responsabilizam os empregados pelos furtos ocorridos nos seus estabelecimentos.
Uma amiga minha trabalhou numa loja de malas de um centro comercial. Se desaparecia um artigo, lá se ia quase metade do ordenado de um mês.
Este método faz com que os funcionários se empenhem em prevenir os crimes.
Num estabelecimento dos arredores de Lisboa, um indivíduo pediu para ver um determinado telemóvel. Mal se viu com a caixa na mão, pegou nele e desatou a correr. A jovem empregada seguiu no seu encalço, agarrou-o e, demonstrando coragem, não o largou até chegar a polícia.
Estava-se no final da manhã e o ladrão foi conduzido pela autoridade ao tribunal.
O Magistrado do Ministério Público decidiu marcar o interrogatório para o período da tarde.
Já não o pôde realizar.
Depois de tanto esforço da rapariga em capturar o criminoso, este aproveitou um momento de distracção do polícia e pôs-se ao fresco.
Aqui há tempos, uma empregada de caixa de uma conhecida cadeia de supermercados foi despedida por não ter detectado um furto.
A gerente de outro estabelecimento da mesma organização deslocou-se a um supermercado perto daquele de que era responsável.
Pôs alguns produtos junto à caixa e propositadamente ocultou outros, que não pagou. Estava a fazer um teste à funcionária.
A rapariga da caixa reconheceu-a, cumprimentou-a, registou os bens colocados no tapete e não reparou nos restantes.
Pouco tempo depois, a empregada estava a receber a nota de culpa, que implicava o despedimento, por não ter sido diligente e não ter observado que a cliente levava consigo produtos que não pagara.
Com alguma razão, a visada defendeu-se, dizendo que nunca iria imaginar que uma gerente da mesma cadeia de supermercados cometeria um furto.
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