Sob o alto patrocínio da Federação Portuguesa de Futebol, aí está Scolari a tratar dos seus assuntos.
Começa por ‘fechar contrato’ com o Chelsea em pleno estágio da Selecção para o Euro. As movimentações de super-empresários no quartel-general das quinas parecia ter um motivo, deontologicamente errado: deixar campo livre a Cristiano Ronaldo (CR), jogador com contrato blindado com o Manchester, para decidir algo que... não podia decidir. A menos que quisesse o risco de abrir uma ‘guerra’ com o United e ficar na bancada por tempo incerto.
A FPF, instituição de utilidade pública que deveria ter um papel pedagógico nestas matérias (não promover o incumprimento de contratos), deixa que tudo se passe debaixo do seu nariz. Afinal – pode agora deduzir-se –, as movimentações do mesmo empresário que queria colocar CR no Real Madrid tinham vários sentidos, um dos quais era assegurar o concurso de Scolari para o Chelsea.
Está assim a FPF a tratar dos interesses do clube de Stamford Bridge. Percebem-se agora declarações de Scolari quando dizia, a propósito da ‘hipótese’ de CR rumar a Madrid, haver algumas oportunidades da vida que não se devem perder. De facto, o United sem Ronaldo é um adversário bem mais ao alcance do Chelsea.
A falta de sensatez é tão grande que, em pleno Europeu, Deco é dispensado para ir tratar da sua vinculação ao clube de Londres. Tudo é considerado normal, até por uma comunicação social que assiste, impávida e serena, ao ‘golpe do baú’ de Scolari, à custa da Selecção Nacional e de uma Federação que se tornou refém do treinador brasileiro.
Scolari sabe que os efeitos do ‘timing’ da sua decisão (até os jornalistas ingleses acham estranha) serão praticamente nulos, porque tem tudo na mão: a FPF (com Madaíl a chorar), grande parte dos jogadores (e não apenas Bosingwa, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Deco; também Ricardo, Pepe, Petit, Nuno Gomes e Simão) e ainda parte substancial da comunicação social desportiva.
Scolari sabia que nomear outro treinador para dirigir a Selecção até ao final do Euro desencadearia efeitos previsivelmente devastadores. Nem seria necessário demitir Scolari. Poderia cumprir o resto do contrato, mas fora do banco de Portugal. Mas se o País, ou quem o representa ao mais alto nível, achou que o caso protagonizado pelo seleccionador nacional com o sérvio Dragutinovic não teve importância nenhuma, podemos esperar o quê? Alguma atitude elevada?! Por amor de Deus!
Para ultrapassar as suas limitações com a língua inglesa, Scolari para poder comunicar pelo menos com os jogadores vai tentar preencher as vagas do plantel com atletas que o entendam (portugueses, brasileiros, espanhóis, sul-americanos), mas isso pode ser um problema, a prazo, para o Chelsea, que não é para aqui chamado. O Terry que se descosa!
Fica aqui o meu palpite: Scolari não se aguentará muito tempo em Londres e, ainda mais rico, vai regressar (quiçá a um clube português) e a tratar o ‘zé povinho’ com a sua ‘grande lata’. A sério: este País merece que nos façam de tolinhos. Há quem goste e ganhe (muito dinheiro) com isso!
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Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.