Mais uma dor de cabeça para Penim: ‘Paraíso Tropical’, que estreia amanhã na SIC, às 21h30, é um dos maiores fracassos dos últimos anos da Rede Globo. Os números que vão chegando, dia após dia, são tudo menos animadores para as já debilitadas contas de Carnaxide – que não podem continuar a ‘derrapar’, sob pena da ‘grande promessa’ não vir a passar disso mesmo. No Brasil, o desastre que está a ser ‘Paraíso Tropical’ é de tal maneira preocupante que a direcção da Globo mandou acelerar a história para o tempo da novela ser encurtado (menos um mês).
Vistos do lado de cá do Atlântico, os números não oferecem muito conforto à equipa de Francisco Penim: ‘Paraíso’ tem andado pelos 36 pontos de share, chegando pontualmente aos 42. Para se perceber um pouco o que isto pode representar no mercado brasileiro de televisão e, em especial, no dia-a-dia da Globo, bastará lembrar que a sua antecessora, ‘Páginas da Vida’, nunca andou abaixo dos 50 pontos.
O elenco de ‘Paraíso’ é muito forte (Fábio Assunção, Alessandra Negrini, Tony Ramos, Camila Pitanga, Susana Vieira, entre muitos nomes de primeira linha), mas pelos vistos isso deixou de ser suficiente. As estrelas já não chegam. O que importa, cada vez mais, é encontrar a história certa em cada momento. Mesmo assim, numa quase desesperada tentativa de chamar público para a sua novela, os autores (Gilberto Braga e Ricardo Linhares) ‘convocaram’ Glória Pires à pressa na passada semana. Aquela que é uma das principais referências da dramaturgia brasileira tem agora a difícil missão de dar vida a uma personagem que não estava no papel e, com isso, tirar o ‘Paraíso’ do buraco. Tarefa difícil, mesmo para um monstro sagrado como Glória Pires. Garantido é que, mesmo que a novela ainda consiga crescer alguma coisa, a Globo já lhe antecipou o final. ‘Paraíso Tropical’ terá, no Brasil, apenas sete meses de exibição, quando o normal numa produção de horário nobre é de oito (alguns casos chegam a nove). ‘Paraíso Tropical’ é estruturalmente uma novela urbana, que usa e abusa de imagens nas praias de Copacabana. Pode dar-se o caso, até, daquilo que não resultou no Brasil vir a ser um tremendo sucesso em Portugal.
Imagens de pessoas bonitas – e despidas – a desfilarem nas fantásticas praias da Cidade Maravilhosa é cenário que, seguramente, já deve ‘cansar’ o telespectador brasileiro. Já aqui em relação a nós, portugueses, a coisa não deve ser bem assim. Se o pessoal ficava acordado até às duas da manhã a ver o ‘Fiel ou Infiel?’...
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Por Carlos Rodrigues
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