Foi apresentado ontem em Bruxelas e em Lisboa o Índex de Políticas de Integração de Imigrantes, num projecto apoiado pela Comissão Europeia.
Neste estudo é feita uma análise comparativa entre as políticas de integração de 27 países europeus e do Canadá, considerando aspectos tão diversos como o acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento familiar, antidiscriminação ou participação política.
Nesse ranking, Portugal ficou em 2.º lugar, depois da Suécia, que ocupa o topo da tabela. Atrás de nós, seguem-se a Bélgica, a Holanda, a Finlândia e o Canadá e outros 22 países. Sendo certo que não é tão habitual quanto gostaríamos estarmos entre os melhores, esta notícia talvez surpreenda alguns, levando os mais cépticos a pensar se não se terão enganado. A verdade é que, no contexto europeu, ficamos entre os três melhores exemplos de integração de imigrantes. Mas, que lições podemos retirar deste facto?
A primeira, na definição do mérito deste resultado alcançado, passa por ter presente que este sucesso é uma vitória colectiva. De Portugal e dos portugueses. Uma boa política de integração de imigrantes só pode ser construída em ambiente de largo consenso social e político, com a participação do Estado e das organizações da sociedade civil, bem como dos cidadãos nacionais e dos imigrantes. Portugal, ao longo dos últimos anos, tem dado passos muito significativos no quadro legal e nas respostas operacionais, bem como nas iniciativas de carácter local. Com persistência e determinação, muitas pessoas – políticos, técnicos, jornalistas, dirigentes associativos – e instituições têm feito esse caminho. Inspirados pela ambição de acolher e integrar bem os imigrantes que nos procuram, alcançaram este resultado. A vitória é deles.
A segunda lição é que somos capazes de estar entre os melhores. Não estamos condenados ao fatalismo de discutir os piores lugares da tabela, entre o último e o penúltimo. Se quisermos e nos esforçarmos, não temos nada a menos do que qualquer outro povo. A excelência está ao nosso alcance. Basta fazer por isso.
Finalmente, a última nota é, talvez, a mais importante. É necessário ir além da alegria desta classificação. Ela não equivale à inexistência de problemas de integração dos imigrantes. Este momento deve servir para nos incentivar a ir mais longe. O facto de estarmos entre os melhores só aumenta a nossa responsabilidade de melhor acolher e integrar os imigrantes. O efectivo combate a todas as formas de discriminação e racismo, a luta contra a exploração laboral por alguns empregadores sem escrúpulos, a conquista da plena cidadania dos imigrantes na sociedade portuguesa são alguns dos desafios presentes na sociedade portuguesa. Desafios aos quais estamos certos de poder dar uma resposta positiva, combatendo as injustiças e promovendo a coesão social. Fomos capazes de o fazer no passado. Seremos capazes de o fazer no futuro.
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Por Carlos Rodrigues
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