Este brilhante compositor alemão concebeu-o sob a forma de um coro na parte final da sua 9.ª Sinfonia, dando assim satisfação a um velho sonho: pôr em música o poema com o mesmo nome do seu compatriota Schiller. Exaltando a fraternidade universal, esse poema vinha ao encontro dos ideais revolucionários e pan-europeus de Beethoven. Foram de resto esses mesmos ideais que inspiraram a 3.ª Sinfonia, a ‘Heróica’, pensada como uma homenagem a Napoleão, visto pelo compositor como um libertador do Velho Continente. Beethoven viria a mudar de opinião mais tarde, quando Napoleão se coroou Imperador...
Apesar das suas inclinações republicanas, Beethoven dedicou a 9.ª Sinfonia ao rei Frederico III da Prússia, estreando-a com enorme sucesso em 1824, em Viena de Áustria. Embora presente no concerto, já não o pôde contudo reger devido ao seu avançado estado de surdez.
Nessa mesma capital tivera lugar alguns anos antes – 1814-1815 – o célebre Congresso Diplomático de Viena, cujos saraus artísticos Beethoven também animou. Durante o Congresso, sob a batuta do príncipe de Metternich, os plenipotenciários europeus tentaram compor uma nova Europa tutelada pelas grandes potências da ‘Santa Aliança’. Esse projecto europeu – onde não poucas vezes as pequenas nações tiveram de se submeter à vontade dos estados mais poderosos – não chegou a concretizar-se nos exactos termos em que foi concebido, mas assegurou na altura a paz e a estabilidade do Continente.
Quanto à ‘Ode à Alegria’, sobreviveu pelos seus próprios méritos até aos nossos dias, chegando o respectivo prelúdio a ser adoptado como hino da União Europeia. Agora parece que já não terá essa honra mas, qualquer que venha a ser o seu destino institucional, a ‘Ode à Alegria’ ficará sempre associada à nossa ideia da Europa da Liberdade e da Fraternidade humana.
Longa vida à Europa!
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Por Carlos Rodrigues
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Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
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